Vencendo barreiras

O que me enleva é a paisagem que vislumbro. O som vem
apenas do marulhar das ondas que teimosamente se comportam
indecisas : chegam barulhentas e se debruçam sobre a areia,
parecendo que ali farão morada; um segundo depois, retornam
e se desfazem.
A luz vem apenas da lua, uma luz doce e tênue, tênue e divina,
divina e bela. Luz que realça as brancas franjas das ondas faceiras…luz
que se reflete no manso mar, a começar da linha do horizonte longínquo
e escuro. De vez em quando a lua brinca de se esconder
por trás de nuvens solitárias.
Coqueiros, um pouco atrás, agitam suas bandeiras ao sabor de
uma brisa forte e constante.
Ao longe, perdido na escuridão, um farol pisca que pisca, orientando
os navegantes. Sentimos a presença de Deus
em cada centímetro daquele lugar.
Estamos ali sentados na praia contemplando esse pedaço da Natureza.
Somos cinco filhos de Deus. Estamos ali para falar com Deus.
Mas, como sempre acontece, Ele fala conosco.
Os demais irmãos estão acostumados. Estou ali pela primeira vez…e
apaixonado à primeira vista.
Não raro passamos anos e anos – ou até a vida inteira – desejando que algo
assim aconteça, mas somos vencidos pelo desânimo.
Ali estou vencendo uma barreira. Sinto-me um vencedor, apesar de morar
a quinze minutos desse lugar maravilhoso…
Não resisto. Começo a falar com Deus em voz alta. Esforço-me para não chorar.
Mas se as lágrimas não descem, o coração é só pranto. Nada pedi a Deus. Somente
glorifiquei o Seu nome e manifestei meu agradecimento por tudo, por
minha vida, minha salvação, minha família…e pelo esplendor daquela paisagem,
reveladora da Sua existência.

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