Testemunhas de Jeová: Revelações Sobre as Profecias de 1914

Era de se esperar que todas as profecias tivessem sido banidas da agenda da Torre de Vigia, uma vez que nenhuma delas se cumpriu. O Corpo Governante (CG) apresentou as seguintes datas como o fim de todas as coisas: 1914, 1918, 1920, 1925 e 1975.
Formalmente, o CG nunca pediu perdão nem a Deus nem aos milhares de “Estudantes da Bíblia” que largaram empregos, estudos e famílias para dedicarem tempo integral à Organização. Por que continuariam lutando por uma vida melhor se o fim estava próximo? Melhor seria trabalhar para o “Canal de Jeová”.
Apesar desses fracassos, o CG nunca deixou de anunciar 1914 como o ano em que o Senhor Jesus Cristo foi entronizado no seu Reino. Para elucidar esse mistério ninguém melhor do que Raymond Franz, ex-integrante do Corpo Governante. Ele fez parte da liderança, foi testemunha ocular, conhece a estrutura da Sociedade; possui um enorme acervo das revistas A Sentinela, livros e outros documentos oficiais. Ele é testemunha viva do que aconteceu dentro da Sociedade. Vejamos o que relata sobre a profecia jeovita para o ano 1914.
“1914 é a data principal sobre a qual repousa uma grande parte da estrutura de doutrinas e de autoridade das Testemunhas de Jeová, que defendem atualmente as seguintes crenças ligadas a essa data:
“Que, em 1914, Cristo Jesus passou a estar “presente” de maneira invisível aos olhos humanos, começando, conseqüentemente nessa data um período de julgamento para todos os seus professos seguidores e para o mundo”.
“Que, em 1914, Cristo Jesus começou aí sua regência ativa com relação ao mundo inteiro, com seu reino assumindo oficialmente o poder”.
“Que 1914 assinala o início dos “últimos dias” ou do “tempo do fim” predito na profecia bíblica”.
“Que a geração de pessoas que viviam em 1914 e que tinham a capacidade de compreender, o que viram então acontecer seria a “geração que não passaria até que se cumprissem todas as coisas”, inclusive a destruição do sistema existente de coisas (isto foi mudado em 1995).
“Que, três anos e meio depois de 1914 (em 1918), começou a ressurreição dos cristãos que dormiam na morte, desde os apóstolos em diante”.
“Que, por volta do mesmo tempo (1918), os verdadeiros seguidores de Cristo que viviam então, entraram em cativeiro espiritual com relação à Babilônia, a Grande, sendo libertados no ano seguinte, 1919, ocasião em que Cristo Jesus os reconheceu coletivamente como seu “escravo fiel e discreto”, sua agência aprovada para dirigir sua obra e cuidar de seus interesses na terra, seu único canal para transmitir orientação e esclarecimento a seus servos por toda a terra”.
“Que, desse tempo em diante, está em progresso a obra da “colheita” final, resultando na divisão de todas as pessoas em duas classes, “ovelhas” e “cabritos”, com salvação ou destruição como seus respectivos destinos”.
“Enfraquecer a crença no significado da data fundamental de 1914 seria enfraquecer toda s superestrutura doutrinal, como descrita acima, que se fundamenta nela. Eliminar essa data poderia significar o virtual colapso de toda a estrutura de doutrinas e autoridade”.
“Apesar disso, poucas Testemunhas sabem atualmente que, por quase meio século – desde 1879 até o fim dos anos vinte -, as profecias relativas a datas na revista A Sentinela (chamada A Torre de Vigia, na época) e publicações correlatas eram essencialmente contrárias a todas as crenças delineadas pouco acima. Descobri que durante quase cinqüenta anos o “canal” da Torre de Vigia (A Sentinela) havia atribuído tempos e datas diferentes para cada uma das coisas relacionadas acima, e que foi só o fracasso de todas as expectativas originais com relação a 1914 que levou a uma designação de novas datas para aqueles pretensos cumprimentos de profecias”.
“Em 1977, uma Testemunha de Jeová da Suécia, chamada Carl Olof Jonsson, enviou à sede em Brooklyn uma quantidade substancial de pesquisa que fizera sobre cronologia relacionada com a bíblia e sobre especulação cronológica. Jonsson era ancião e estivera ativamente associado com as Testemunhas de Jeová por uns vinte anos. Ele procurou chamar a atenção do Corpo Governante para a fragilidade nos cálculos da Sociedade que levam à data de 1914 como o ponto final dos “tempos dos gentios”, mencionados por Jesus em Lucas, capítulo 21, versículo 24 (chamados de “os tempos designados das nações” na Tradução do Novo Mundo)”.
“Poucas Testemunhas de Jeová hoje fazem qualquer idéia da magnitude das pretensões envolvendo esse ano (1914) ou do fato de que nenhum dos sete pontos originais sequer se cumpriu como foi declarado. Essas expectativas recebem atualmente apenas menção muito rápida nas publicações da Sociedade; algumas são totalmente ignoradas” (trechos páginas 169-188).
“Charles Taze Russell, que fizera referência a si mesmo como “porta-voz de Deus”, morreu em 1916. Deixou para trás um legado de profecias relativas ao tempo, das quais, nenhuma teve os resultados preditos. Também deixou para trás milhares de seguidores confusos. O livro Light I (Luz I) publicado em 1930, página 194, descreve a situação do seguinte modo:
“Todos os do povo do Senhor ansiavam por 1914 com uma expectativa jubilante. Quando essa data chegou e passou, houve muito desapontamento, vergonha e pesar, e o povo de Deus foi imensamente censurado. Foram ridicularizados pelo clero, principalmente pelos aliados destes, e apontados com desprezo por terem falado tanto sobre 1914 e sobre o que viria a acontecer, e não se cumprirem suas “profecias”. Com a passagem tanto de 1914 como de 1915 sem que houvesse a completa derrubada de todos os reinos e instituições humanas, sem que o reino de Cristo assumisse o domínio de toda a terra, sem que os ungidos passassem à vida celestial, nem houvesse a destruição de “Babilônia, a Grande” e a conversão de Israel ao cristianismo – tudo predito como devendo ocorrer em 1914 -, levantaram-se sérias dúvidas entre os adeptos da Torre de Vigia”.
Vejamos agora a palavra de Cid de Farias Miranda e William do Vale Gadelha, ex-anciãos que trabalharam duas décadas de suas vidas em prol da Torre de Vigia. Desiludidos, escreveram no prefácio do seu livro A Verdade Sobre as Testemunhas de Jeová: “Chegou, porém, o dia em que a luz agora tênue do sonho teve de confrontar-se com o brilho irrefreável dos fatos, o clarão ofuscante da verdade”.
“A falsa profecia para 1914 – O assunto é abordado atualmente nas publicações da Sociedade com certa obscuridade. A idéia que elas geralmente passam é que se profetizou o fim dos “Tempos dos Gentios” para 1914 e que isto realmente aconteceu, de modo invisível (A Verdade sobre as Testemunhas de Jeová, página 27). Vejam os documentos oficiais divulgados pelos referidos ex-anciãos no referido livro:
“Os fatos inquestionáveis, portanto, mostram que o “tempo do fim” começou em 1799; que a segunda presença do Senhor começou em 1874; que a colheita seguiu-se daí em diante e uma luz maior veio sobre a Palavra de Deus” (A Sentinela, em inglês, 01.03.1922). Depois, isto foi mudado para 1914, conforme dito no livro A Verdade que conduz à Vida Eterna (1968), página 94, a seguir:
“Os Últimos Dias Deste Sistema Iníquo de Coisas – A Bíblia fala do tempo em que vivemos como sendo os “últimos dias” ou o “tempo do fim” (2 Tm 3.1; Daniel 11.40). Os fatos mostram que se trata de um período limitado, com um princípio definido e um fim definido. Começou em 1914, quando Jesus Cristo foi entronizado como rei nos céus”. Num primeiro momento – observam os ex-anciãos -, os “fatos inquestionáveis mostram que “começou em 1799”. Depois, os “fatos mostram” que “começou em 1914”. Quem pode garantir que esta data é a correta?
“A presença de nosso Senhor como Noivo e Ceifeiro foi reconhecida durante os primeiros três anos e meio, de 1874 A.D. a 1878 A.D. Desde essa época, tem sido enfaticamente manifesto que em 1878 A.D. chegou o tempo em que deveria começar o julgamento real da casa de Deus” (Livro O tempo Está Próximo, de 1889, página 239). Depois, isto foi mudado para 1914: “Isto significa que Jesus Cristo começou a dominar qual rei do governo celestial de Deus em 1914” (Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra (1983), página 141).
“Em vista desta forte evidência bíblica concernentes aos tempos dos Gentios, consideramos como uma verdade estabelecida que o final definitivo dos reinos deste mundo e o pleno estabelecimento do Reino de Deus estarão cumpridos em fins de 1914 A.D. (Do livro The Time is at Hand (O Tempo Está Próximo, mencionado no livro Testemunhas de Jeová – Proclamadores do Reino de Deus, página 53 rodapé), de 1889, página 99 – Tradução do texto em inglês).
“E, com o fim de 1914 A.D., aquilo que Deus chama de Babilônia e os homens chamam de Cristandade terá passado, conforme já demonstrado pela profecia” (Livro Thy Kingdom Come (Venha o Teu Reino, mencionado no Proclamadores, página 53, rodapé), de 1891, página 153).
“A data do encerramento dessa “batalha” está definitivamente marcada nas Escrituras como sendo outubro de 1914. Ela já está em andamento, seu início tendo se dado em outubro de 1874” (A Sentinela, de 15.01.1892, página 23).
“Não vemos razão para mudarmos os números – nem poderíamos mudá-los se quiséssemos. Estas são, acreditamos, datas de Deus, e não nossas. Mas tenham em mente que o final de 1914 não é a data do início, mas do fim do tempo de aflições” (The Watch Tower (A Sentinela, de 15.07.1894, página 16).
“Em 1914 alguns Estudantes da Bíblia [antigo nome das Testemunhas] esperavam ser “arrebatados em nuvens, para encontrar o Senhor, e criam que seu trabalho terreno de pregação havia chegado ao fim (1 Ts 4.17). Um dia, alguns deles foram para um lugar isolado a fim de esperar o evento ocorrer. Entretanto, quando nada aconteceu, foram obrigados a voltar para casa num estado mental bem deprimido. Como resultado, muitos destes caíram da fé” (Anuário das Testemunhas de Jeová de 1983, página 120).
“Houve grande expectativa com a chegada do ansiosamente aguardado ano de 1914. Alguns esperavam mais do que o que C.T.Russell ou a Torre de Vigia predissera. Houve muita especulação, e o fato de não se concretizarem algumas dessas esperanças pessoais podia levar a desapontamento, especialmente para os espiritualmente imaturos. Contudo, havia um crescente sentimento de desapontamento entre alguns cristãos ungidos, inclusive o próprio Emile Lanz. Ele viu 1914 chegar ao fim sem os cristãos serem “arrebatados”… para encontrar o Senhor no ar”, de acordo com seu entendimento de 1 Tessalonicenses 4.17” (Anuário de 1980, sobre o Canadá, página 97).
O ano de 1914 – explicam os ex-anciãos – era ansiosamente esperado porque o ensino da Torre de Vigia era que então viria o fim do mundo e o arrebatamento. Que esperanças pessoais podiam ser maiores do que o fim do mundo e a conseqüente salvação dos eleitos? Dá a impressão de que era o entendimento só daquele homem, mas era o entendimento da própria sociedade. Segundo o Proclamadores, página 62, no quadro do lado esquerdo, A.H.Macmillan disse em 30 de setembro de 1914: “Este é provavelmente o meu último discurso público, porque em breve iremos para nossa morada (o céu)”.
Macmilan – dizem os ex-anciãos – era um dos diretores da Sociedade, portanto, membro do Corpo Governante. Logo, não podia estar fazendo um discurso “apóstata”, e sim de acordo com o ensino da organização.
Em 1914, Frank Grove, decepcionado com o fracasso da profecia, citou Jeremias 20.7: “Tu me lograste [enganaste], ó Jeová, de modo que fui logrado”. Colocou a culpa no próprio Jeová (Anuário de 1982, página 213, sobre a Nova Zelândia).
Jesus designou os “ungidos” da sociedade sobre todos os seus bens (cumprimento invisível) em 1919: “Em 1918, o entronizado Rei Jesus Cristo encontrou um pequeno grupo de cristãos que haviam abandonado as igrejas da cristandade… Depois de refiná-los como que com fogo, Jesus conferiu aos seus escravos, em 1919, uma autoridade ampliada (Malaquias 3.1-4; Lucas 19.16-19). Designou-os “sobre todos os seus bens” – Lucas 12.42-44)”.
Cid de Farias Miranda, ex-ancião, enumera as razões do seu afastamento. Eis uma delas: “Os ensinamento que nos faz realmente diferentes das outras: 1914 e minha certeza de que nesse ano nada do que é dito cegamente com relação á entronização de Cristo ocorreu, pois há registros de que Charles Taze Russel havia lido escritores mais antigos nos quais baseou todos os seus cálculos (principalmente na Grande Pirâmide de Gizé, a que ele visitou e estudou, pois ele era um piramidólogo” (A Verdade Sobre as Testemunhas de Jeová, páginas 254-255).
A impressão que tenho é que a Torre de Vigia já não suporta mais falar em 1914. É uma pedra no caminho da Organização. Ao longo dos anos, aos poucos, o Corpo Governante retirará esse ano de sua agenda. O “canal de Jeová” dirá que raiou uma nova luz, que o passado passou, que vamos nos preparar e trabalhar com afinco em torno do Grupo. O fim virá, mas no “tempo do fim”. A cristandade será derrotada. Todos os que estiverem com os “ungidos” resplandecerão como sol do meio dia. Está aí a minha modesta contribuição para que o CG saia desse imbróglio.
01.01.2009
www.palavradaverdade.com

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