Testemunhas de Jeová: Resposta Sobre a Divindade de Jesus – IV

Abreviaturas
TJ – Testemunhas de Jeová
STV – Sociedade Torre de Vigia
TNM – Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas – Tradução particular da Bíblia Sagrada, usada pelas TJ

Examinemos mais uma das questões apresentadas pelo Sr. Luiz Carlos. Disse ele:

“JESUS orava freqüentemente a Deus, a quem chamou de Pai, e também ensinou outros a fazer o mesmo. (Mateus 6:9-11; Lucas 11:1, 2). Numa oração com os apóstolos — poucas horas antes de morrer — ele pediu: “Pai, veio a hora; glorifica o teu filho, para que o teu filho te glorifique”. Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” — João 17:1, 3. Note que Jesus orou a alguém a quem chamou de “o único Deus verdadeiro”. Ao continuar orando, ele mostrou a posição superior de Deus: “De modo que agora, Pai, glorifica-me junto de ti com a glória que eu tive junto de ti antes de haver o mundo.” (João 17:5) Visto que Jesus orou pedindo para estar junto de Deus, como poderia Jesus ser ao mesmo tempo “o único Deus verdadeiro?”.

Resposta

Usarei sempre o que está escrito na Tradução do Novo Mundo. Os filhos de Deus são templos do Espírito, isto é, o Espírito habita nos que crêem Jesus Cristo e O recebem como Senhor e Salvador. Leiam:

“Não sabeis que vós sois templo de Deus e que o espírito de Deus mora em vós?” (1 Co 3.16-TNM).

“Para que o Cristo more em vossos corações, com amor, por intermédio da [vossa] fé… a fim de que estejais cheios de toda a plenitude dada por Deus” (Ef 3.17, 19-TNM).

“O espírito da verdade, que o mundo não pode conhecer… Vós o conheceis, porque permanece convosco para sempre” (Jo 14.17, 19-TNM).

“No entanto, vós estais em harmonia, não com a carne, mas com o espírito, se o espírito de Deus verdadeiramente morar em vós. Mas se alguém não tiver o espírito de Cristo, este não pertence a ele. Se, porém, Cristo está em união convosco, o corpo, deveras, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida… Então, se morar em vós o espírito daquele que levantou a Jesus dentro os mortos… também vivificará os vossos corpos mortais por intermédio do deu espírito que reside em vós” (Rm 8.9-11-TNM).

“No entanto, a tantos quanto o receberam [receberam a Cristo Jesus], a estes deu autoridade para se tornarem FILHOS DE DEUS, porque exerciam fé no seu nome” (Jo 1.12-TNM – grifo meu).

“Pois, se declarares publicamente essa palavra na tua própria boca, que JESUS É SENHOR, e no teu coração exerceres fé, que Deus o ressuscitou dentre os mortos, SERÁS SALVO” (Rm 10.9-TNM).

O registro desses versículos objetiva fortalecer a tese de que para entender a Trindade (Pai, Filho e Espírito) é preciso ter o Espírito Santo, que convence do pecado, da justiça e do juízo. As TJ não acreditam na existência do Espírito como Pessoa; logo, não O possuem.

A STV declara que o Espírito Santo (Espírito de Deus, Espírito de Cristo, Espírito da Verdade, o Consolador) é uma força ativa; não é uma pessoa. Provei o contrário no oitavo artigo da série “A Bíblia das TJ Revela a Divindade de Jesus”. O Espírito age como pessoa e como Deus: é eterno, onipresente, onisciência, onipotente; fala, dirige a igreja e pode ficar entristecido. Apesar de afirmar que o Espírito é uma força ativa, algo impessoal e abstrato, a STV comete o descuido de não manter a coerência em suas afirmações. Para serem coerentes, deveriam mudar os versículos acima, do seguinte modo:

“A energia de Deus mora em vós” (1 Co 3.16-TNM).
“A força ativa de Deus permanece em vós” (Jo 14.19-TNM).
“Vós estais em harmonia com a força ativa de Deus”. “Se alguém não tiver a força ativa de Cristo…” (Rm 8.9-11-TNM). E assim por diante.

“De maneira semelhante, o espírito também se junta com ajuda para a nossa fraqueza… o próprio espírito implora por nós com gemidos… está intercedendo a favor dos santos” (Rm 8.26-27-TNM). Se o Espírito Santo é uma força impessoal, como pode Ele interceder pelos santos? Como pode uma energia interceder com gemidos? Energia não geme.

Observem que o Espírito é “de Deus” e também “de Cristo”. A TNM declara, por força do contexto, que quem não tiver o Espírito de Cristo não tem vida eterna. As TJ estão em união com Cristo? Possuem o Espírito de Cristo? João 1.12 e Romanos 10.9-TNM fecham a questão: somente os FILHOS DE DEUS, pela aceitação do senhorio do Senhor Jesus, podem receber o Espírito Santo.

“Porque é nele [em Cristo] que mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina” (Cl 2.9-TNM).

Fico a imaginar com que espírito a STV consentiu em registrar que no Filho habita corporalmente a plenitude da divindade (Cl 2.9-TNM). A Palavra está afirmando que Jesus é cem por cento Deus; cem por cento divino. Ouçamos o Aurélio: “Plenitude – Qualidade ou estado de pleno. Pleno – Cheio, repleto; completo, absoluto. Perfeito, acabado”. Dicionário VINE: “Plenitude (gr. plerõna) denota abundância, plenitude, aquilo do qual uma coisa é cheia. É assim acerca da graça e verdade manifestas em Cristo (Jo 1.16); todas as suas virtudes e excelências (Ef 4.13)”.

Tudo o que registrei acima foi para provar que, pela não aceitação do senhorio de Jesus e por não aceitarem a realidade do Consolador prometido, as Testemunhas de Jeová não são templos do Espírito.

Jesus é Deus verdadeiro

A liderança das TJ cita João 17.3 como prova de que Jesus não é o Deus verdadeiro: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste Jesus Cristo” (Jo 17.3-TNM).

Concordo em que Deus é único. Jesus não poderia dizer outra coisa. Deus é a única verdade. Por isso, a vida eterna só pode ser associada a Deus. O Filho e o Pai são pessoas distintas, mas semelhantes em natureza. Daí porque “vida eterna” está associada aos dois. Ninguém poderá alcançar a vida eterna, isto é, viver eternamente no céu, sem ter comunhão com Cristo, sem nEle crer. É isso que diz a TNM: “Quem nele exerce fé não há de ser julgado; quem não exercer fé, já foi julgado, porque não exerceu fé no nome do Filho unigênito de Deus” (Jo 3.18-TNM). Quem exercer fé somente no Pai Jeová não terá vida eterna. Está escrito também em João 3.16-TNM: “Aquele que nele exercer fé… tem a vida eterna”. O Filho é a verdade (Jo 14.6-TNM). O Pai e o Espírito também são a verdade (Jo 17.1; 15.26; 1 Jo 5.6-TNM). Vejam o que diz a Bíblia:

“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5.20-Bíblia). Está confirmado que “vida eterna” só pode ser associada a Deus. Jesus disse: “Eu sou a verdade; eu sou a vida” (Jo 14.6-TNM). Por isso, Jesus, “que é verdadeiro”, é chamado de “verdadeiro Deus e a vida eterna”. Esta conclusão está coerente com todo o enunciado e com tudo o que diz a Bíblia. Na TNM, o versículo acima está assim:

“Mas, sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu capacidade intelectual para podermos obter conhecimento do verdadeiro. E nós estamos em união com o verdadeiro, por meio do seu Filho Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 Jo 5.20-TNM).

A Sociedade Torre de Vigia não conseguiu êxito na pequena alteração do texto. Substituiu o “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” por “Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna”, alterando apenas o pronome. Com isso, quis dizer que esta frase não se refere a Jesus Cristo, mas ao “verdadeiro”, que seria Jeová. Cristo é não é verdadeiro? É falso? Vamos ver:

“Eu sou a verdade” (Jo 14.6-TNM).
“E o sentado nele se chama Fiel e Verdadeiro” (Rv [Apocalipse] 19.11-TNM).
“Estas coisas diz aquele que é verdadeiro” (Rv 3.7-TNM).
“Eu sou a videira verdadeira” (Jo 15.1-TNM).
“A verdadeira luz que dá luz a toda sorte de homem estava para vir ao mundo” (Jo 1.9-TNM)

Jesus Cristo não é a vida eterna? Vamos conferir:

“Deus nos deu a vida eterna. E esta vida eterna está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem esta vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem esta vida [eterna]” (1 Jo 5.11-12-TNM). Digo ao consulente Luiz Carlos: se o Sr. não tiver o Filho, não viverá eternamente com Jeová. Assim revela a Tradução do Novo Mundo.

Jesus: “Eu lhes dou vida eterna” (Jo 10.28-TNM). Só Deus pode dar vida eterna. Logo, temos aí uma das revelações da divindade do Filho. A vida eterna é a atual possessão do crente, por causa da sua relação com Cristo. Sem comunhão com Ele não há vida eterna: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exercer fé em mim, ainda que morra, viverá. E todo aquele que vive e exerce fé em mim nunca jamais morrerá” (Jo 15.25-26-TNM). Em outras palavras, Jesus disse que a comunhão permanente com Ele garante vida eterna. Então, Ele é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

Jesus ora ao Pai

O Sr. Luiz Carlos diz que Jesus se colocou numa posição inferior ao orar ao Pai. Ele deveria orar a Ele mesmo? E o que dizer quando o Pai chama o Filho de Deus? O Pai estaria ficou inferiorizado por isso? Vejam:

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino” (Hb 1.8-Bíblia Sagrada). O texto é uma citação do Salmos 45.6 e 7. O escritor da epístola afirma na passagem que o Deus do Salmo citado é Jesus, como a seguir:

“O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e odeia a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria…” (Sl 45.6-7-Bíblia Sagrada).

O escritor de Hebreus, sob inspiração divina, revelou que o Deus da primeira parte do versículo – “ó Deus” – é uma referência ao Filho. A frase seguinte – “Deus, o teu Deus te ungiu” – deixa claro que é o Pai fazendo referência ao Filho. O Deus Pai não poderia ungir a Si mesmo, nem ser Deus dEle próprio.

Essa declaração da divindade de Jesus deixou a liderança das TJ em dificuldade. A saída foi alterar tudo, mas ficou perdida no contexto. A letra de Salmos 45.6 e 7 ficou assim: “Deus é o teu trono por tempo indefinido…” (v.6); e “é por isso que Deus, o teu Deus te ungiu…” (v.7). Hebreus 1.8: “Mas, com referência ao Filho: Deus é o teu trono para todo o sempre..”. Apesar da mudança, a TNM não se livrou do incômodo de confirmar a divindade do Filho. Deus seria o trono (?!) de um deus menor, de uma de suas criaturas? Se Deus é o trono do Filho, está explícito que os dois, embora pessoas distintas, possuem substantiva igualdade.

Não sei por que em outras passagens a STV não teve o mesmo cuidado de evitar tal incômodo. Em Isaías 9.6, a TNM registra que o Filho é “Deus Poderoso”. E em João 20.28, registra a observação de Tomé, chamando Jesus de Senhor e Deus, sem que tenha havido qualquer correção da parte do nosso Salvador.
03.10.06
www.palavradaverdade.com

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