Testemunhas de Jeová: Resposta Sobre a Divindade de Jesus – III

TJ – Testemunhas de Jeová
STV – Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados
TNM – Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, livro contendo uma tradução particular da Bíblia, usado pelas TJ.

Em primeiro de agosto/2006, recebi uma mensagem de Luiz Carlos ([email protected]), com a seguinte observação: “Se você é um servo de Deus, verifique a sério, sério mesmo, e me dê uma resposta sobre esse assunto”. Da mensagem constam vários tópicos, todos negando a divindade de Jesus Cristo. Em cada artigo desta série, darei resposta a uma das questões apresentadas pelo remetente. Analisemos mais uma, sob o título “Quem Jesus disse que era”.

“Jesus reconheceu que era o Filho de Deus, embora raramente se identificasse dessa maneira (Marcos 14:61, 62; João 3:18; 5:25, 26; 11:4). Quase sempre, porém, ele dizia que era “o Filho do homem”. Por identificar-se assim, ele chamava a atenção para seu nascimento como humano — o fato de que ele era realmente um homem. Desse modo, ele também revelou ser o “filho de homem” que Daniel, em visão, viu aparecer perante o Deus Todo-Poderoso — “o Antigo de Dias”. — Mateus 20:28; Daniel 7:13. Em vez de dizer publicamente que era o Filho de Deus, Jesus deixou que as pessoas chegassem a essa conclusão. Isso aconteceu até mesmo com alguns que não eram seus apóstolos, incluindo João Batista e Marta, amiga de Jesus (João 1:29-34; 11:27) Esses acreditavam que Jesus era o prometido Messias e sabiam que ele tinha vivido no céu como poderosa pessoa espiritual, e que Deus havia transferido milagrosamente a vida de seu Filho para o ventre da virgem Maria. — Isaías 7:14; Mateus 1:20-23. Mateus 4:10.

Resposta:

Tratei do assunto no décimo artigo da série “A Bíblia das Testemunhas de Jeová Revela a Divindade de Jesus – X”. O contradizente disse que Jesus “raramente se identificou como `o Filho de Deus´, e cita Marcos 14.61, 62; João 3.18; 5.25, 26; 11.4. Talvez por esquecimento, deixou de citar Mateus 16.16; 27.43; Lucas 22.70 e João 8.36; 10.36; 14.13; 17.1. Ora, bastaria uma única declaração. A Verdade não se expressa em razão da quantidade de citações. Jesus disse apenas uma vez “Eu Sou a Verdade” (Jo 14.6). Além das declarações acima, a Bíblia, escrita sob inspiração divina (2 Tm 3.16-TNM), confirma que Jesus é o Filho de Deus: Mt 14.33; 27.54; Mc 1.11; 3.11; 5.7; 9.7; 15.39; Lc 1.32; 3.22; 4.3; 4.41; 8.28; 9.35; 10.22; Jo 1.34; 1.49; 3.16; 3.35; 5.20; Atos 9.20; Rm 1.4; 5.10; 8.3, 29, 32; Gl 1.16; 4.4; Ef 4.13; 1 Ts 1.10; Hb 1.2, 5; 3.6; 5.5, 8; 6.6; 7.28; 10.29; 2 Pe 1.17; 1 Jo 1.3; 2.22; 3.8, 23; 4.9, 10, 14, 15; 5.5, 11, 12, 20; 2 Jo 9.

Temos mais de sessenta passagens da Bíblia Sagrada afirmando que Jesus é “o Filho de Deus”. Não são suficientes? Pelo visto, as Testemunhas de Jeová dão muita importância a esse título. Correto. Ser “Filho de Deus” é ser igual a Deus. É exatamente por esse motivo que a Sociedade Torre de Vigia tenta diminuir a importância desse título. Para que prevaleça a crença da não divindade de Jesus, faz-se necessário minimizar o significado do título. A saída da STV é realçar a condição de “Filho do homem”, a que Jesus se referiu muitas vezes, em detrimento da de “Filho de Deus”. É claro que Jesus é “Filho do homem” segunda a carne e Filho de Deus segundo o Espírito. Nele habitam as duas naturezas: a humana e a divina. Tal dualidade é confirmada na Bíblia pela seguinte profecia:

“Portanto, o próprio Jeová vos dará um sinal: Eis que a própria donzela ficará realmente grávida e dará à luz um filho, e ela há de chamá-lo pelo nome Emanuel” (Is 7.14-TNM).

“Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e dar-lhe-ão o nome de Emanuel, que quer dizer, traduzindo: Conosco Está Deus” (Mt 1.23-TNM). “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1.32-TNM). Lembro que esses versículos são extraídos diretamente da Tradução do Novo Mundo – TNM. Portanto, Jesus, como bem disse, é Filho do homem e Filho de Deus.

A expressão “Conosco Está Deus”, na TNM, é reveladora da encarnação de Deus. Logo, Jesus é Jeová que se fez homem. A liderança das TJ pode até ensinar o contrário em suas revistas, mas a divindade de Jesus está declarada na sua versão particular da Bíblia. Para que a Palavra se ajustasse à crença do Grupo, o versículo em questão deveria ser modificado para “Conosco está um deus”. É mais uma incoerência, pois escreveram em João 1.1: “a Palavra era [um] deus”; e em Isaías 9.6 afirmaram que o Filho é “Deus Poderoso”. Apesar das muitas revisões por que passou a TNM, os líderes ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre a pessoa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Deus Poderoso. Uma das dificuldades é a falta do Espírito Santo, que convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8-TNM). As TJ blasfemam contra o Espírito de Santo ao rebaixá-lO a uma “força ativa”, embora sabendo que esse pecado não será perdoado (Mt 12.31-TNM).

Por último digo que foi muito fraco o argumento apresentado. É justificável que os não cristãos, como no caso das Testemunhas de Jeová, defendam suas crenças. Porém, é condenável sob todos os aspectos fazerem alterações de textos bíblicos e apresentarem hermenêutica tendenciosa.

Diz mais o consulente: “Por identificar-se assim, ele chamava a atenção para seu nascimento como humano”. Jesus falou a verdade. Não escondeu o seu nascimento humano, como também não escondeu a Sua origem divina. A TNM registra essas duas situações.

E continua: “Em vez de dizer publicamente que era o Filho de Deus, Jesus deixou que as pessoas chegassem a essa conclusão”.

O Sr. Luiz Carlos faltou com a verdade. Foi influenciado por sua liderança. Não se pode fugir ao que diz o texto bíblico. Jesus disse publicamente que era o Filho de Deus. Disse-o aos seus apóstolos (Mt 16.16-TNM) e publicamente aos seus inimigos (Lc 22.70-TNM). Não culpo totalmente os seguidores da STV por andarem em caminhos tenebrosos. As ovelhas que ouvem, seguem e aplaudem o Corpo Governante das TJ fazem-no de boa fé. Nunca tiveram oportunidade de ouvir o contraditório e questionar. Mas não estão isentas de culpa. Para o inferno também irão os cegos que são guiados por cegos. Mas as TJ não estão preocupadas com isso. Aprenderam que não existe inferno.

Outra afirmação do contradizente: “Esses acreditavam que Jesus era o prometido Messias e sabiam que ele tinha vivido no céu como poderosa pessoa espiritual”.

Jesus disse ser o Messias prometido, o Cristo, o enviado, o ungido (Jo 4.25-26-TNM). O título “Filho do homem” indica também a natureza messiânica de Sua missão. Mas o Sr. Luiz Carlos faz uma declaração no mínimo curiosa. É provável que não tenha sido ele quem escreveu os questionamentos, mas como não revelou a fonte só posso concluir que seja de sua autoria. Ele declara que os apóstolos sabiam que Jesus houvera vivido no céu como uma pessoal espiritual poderosa. O consulente tenta adivinhar o pensamento dos apóstolos, de João Batista e de Marta. Em hermenêutica não se pode usar de presunção, adivinhação ou “achismo”. Para justificar, apresenta a conversa de Marta com Jesus, a respeito de Lázaro que jazia morto há quatro dias. Vejam a seqüência:

“Disse Jesus: Teu irmão se levantará. Marta disse: Sei que ele se levantará na ressurreição, no último dia. Jesus disse-lhe: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exerce fé em mim, ainda que morra, viverá [outra vez]. E todo aquele que vive e exerce fé em mim nunca jamais morrerá. Crês isso? Ela lhe disse: Sim, Senhor; tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus, Aquele que vem ao mundo” (Jo 11. 23-27-TNM).

O texto indicado depõe contra o que o contradizente deseja explicar. Primeiro, Jesus declara a Sua divindade ao dizer que somente crendo nEle é possível alcançar a vida eterna; e declara que Ele ressuscita mortos no plano físico e espiritual. Segundo, confirma ser “o Filho de Deus”. Após essas citações, Ele ressuscita a Lázaro, como prova de Seus atributos divinos. Onde está escrito que Marta acreditava ser Jesus apenas uma pessoa espiritual poderosa? Há aí um equívoco lamentável, porque a Tradução do Novo Mundo registra o contrário quando diz:

a) Que Jesus é “Deus Poderoso” e “Pai Eterno” (Is 9.6-TNM).
b) Que o título “Emanuel”, a Ele atribuído, quer dizer “Conosco Está Deus” (Mt 1.23-TNM).
c) Que o Filho e o Pai são um (Jo 10.30-TNM).
d) Que quem O vê, vê o Pai (Jo 14.9-TNM).
e) Que Jesus é Senhor e Deus (Jo 20.28-TNM).
f) Que Jesus é o salvador do mundo (Jo 4.42-TNM).
g) Que o reino eterno é do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 1.11).

Entretanto, podemos dizer que os judeus tinham certeza de que Ele se fazia igual a Deus, convicção confirmada por Jesus (Jo 5.17-24-TNM). Igualmente, Tomé tinha certeza de que Jesus era Senhor e Deus, convicção não corrigida por Jesus; e Pedro, certeza de que o reino dEle é eterno, ou seja, não tem começo nem fim (Jo 20.28; 2 Pe 1.11). Não estou querendo adivinhar o pensamento deles. Tão somente está escrito.

Analisemos Daniel 7.13, citado pelo consulente:

“Continuei observando nas visões da noite e eis que aconteceu que chegou com as nuvens dos céus alguém semelhante a um filho de homem; e ele obteve acesso ao Antigo de Dias. E fizeram-no chegar perto perante Este. E foi-lhe dado domínio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio de duração indefinida, que não passará, e seu reino é um que não será arruinado” (Dn 7.13-14-TNM).

Basta a explicação de uma frase: “para que todos os povos o servissem”. A quem devemos adorar e servir? Somente a Jeová devemos adorar e prestar serviço sagrado, diz a Tradução do Novo Mundo, em Mateus 4.10. Porém, todos os povos devem adorar e servir ao Filho, porque o Filho é semelhante ao Pai, em substância. A TNM ainda afirma que quem não honra o Filho, não honra o Pai; quem não tem o Filho, não tem o Pai.
29.09.06
www.palavradaverdade.com

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