SAUDADE

AS DUAS IRMÃS
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Postado por João Costa às 19:49 30/12/2010

Quando a gente perde para sempre uma pessoa querida sofre-se muito, mas com o tempo, a vida nos ensina retomar o seu curso. Isso acontece todos os dias nesse mundo de Deus.

Quando, entretanto, o alguém que perdemos, significava o grande amor de nossa vida, esse retorno é bem mais difícil e, mesmo que a resignação possa fazer-nos retornar ao cotidiano, não haverá de livrar-nos da companhia incômoda e indesejada de duas irmãs, não raro,para o resto da vida. Falo da saudade e da solidão.

A saudade, de difícil degradação em nossas lembranças, cristaliza-se e faz morada definitiva no coração, como uma tatuagem invisível que só a alma percebe. Compreensiva, às vezes acomoda-se em silencio, e até nos faz pensar por algum momento, em ser feliz novamente, refazer planos adormecidos, sorrir à toa, cantarolar velhas canções. É como se as recordações que nos entristece, desse uma trégua aos nossos queixumes e nos fizesse respirar vida.

A outra, a solidão, essa é perversa. Nunca se ausenta. Dorme e acorda ao seu lado, não lhe dá boa noite ou bom dia, nunca lhe sorrir e parece nos dizer a todo instante, que o mundo nos esqueceu que não adianta mais viver, que ninguém mais quer saber de sua vida, de seu sofrimento. Livrar-se dessa cruel companhia é sempre o grande desafio dos solitários de amor. Desgraçadamente esse é o espectro do drama que me atormenta há algum tempo.

Se nada posso fazer para livrar-me da saudade, hoje companheira inseparável das minhas lembranças mais íntimas, que sempre se faz presente nas pequenas coisas que ficaram, aos poucos, muito calmamente, começo perceber que posso sim, livrar-me de sua irmã cruel – a solidão. A rota de fuga dessa escapada, não faz muito tempo, me foi revelada por uma jovem mulher, numa intrigante mensagem em que falava de sua própria solidão e do seu desejo em aproximar-se para conversarmos sobre nossas vidas.

Noutra mensagem, em que insistia no encontro, ela foi mais persuasiva. Prometeu cuidar da minha solidão, e dela, jurou livrar-me. Encantei-me com essa promessa e fui ao seu encontro. A partir de então passamos a descobrir juntos, como fugir daquela velha e má companhia. Não sei se a dona do meu encantamento terá tanto amor pra me dar e tanta paciência assim, a ponto de afastar de minha vida, a tal bruxa que tanto nos apavora. Caminhemos.

Comentários de Airton Evangelista
2 de março de 2012 09:54

SAUDADE é dor que não se acaba com facilidade. O tempo alivia, mas não a elimina. Criamos alguns atalhos, nos esforçamos em esquecer, fazemos mil malabarismos… mas ela persiste em se manter viva. A mente humana não é igual ao computador, embora este nos proporcione inquestionáveis benefícios. Porém, não conseguimos DELETAR lembranças do passado, imagens e momentos, palavras e situações várias.
O interessante é que gostamos de sentir a dor da saudade. Assim é a vida.
Deixo aqui meu fraternal abraço no amado João Evangelista, meu irmão de “Sangue de Artista”.
Um dia, este BLOG se chamar SAUDADE. Quando estivermos apenas na SAUDADE de nossos parentes e amigos, este espaço dirá do nosso passado.
AIRTON EVANGELISTA DA COSTA

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