Que Deus Possa?

Pr Ibraulino,

Ouço o “que Deus possa” desde a minha conversão, há 12 anos. Sempre achei estranho. Considero que é como um refrão, um costume. Regra geral, as ovelhas aprendem a orar com o pastor. É provável que queiram dizer “que Deus queira”. Mesmo assim fica meio atravessado. O melhor mesmo é ir direto ao assunto: Senhor Deus, nos abençoe, nos perdoe. Reconheço que é difícil mudar esse modo de orar. Mas valeu a sua observação.

Airton
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Aprendemos e ensinamos a onipotência e a soberania como atributos exclusivos de Deus, ao lado da Sua eternidade, onisciência, onipresença e imutabilidade. Mas, parece que algumas pessoas, ou melhor, muitas, não crêem ou não querem crer em um Deus com todos os referidos atributos pessoais e exclusivos.
Com se já não bastassem as aberrações falaciosas da chamada “Teologia da Prosperidade”, de algum tempo a esta parte vem se acentuando em nosso meio um costume ou prática no mínimo estranha, pelo menos para mim. É o tal: “Que Deus Possa”. Ocorre que nos últimos tempos tenho observado, ouvido e lido diáconos, líderes e até pastores, em suas orações dizendo: “que Deus possa nos abençoar”, “Que Deus possa abençoar sua igreja”, “Que Deus possa” abençoar o culto desta noite. “Que Deus possa” isto ou aquilo.
Creio que quando alguém assim se expressa em oração ou em outra ocasião qualquer, parece que não esta levando em conta os atributos exclusivos de Deus, principalmente a Sua soberania e onipotência e até Sua imutabilidade.
Não sei se isto é resultado da influência maléfica da “Teologia da Prosperidade”,que destituiu a Deus de Seu poder, soberania e perfeita vontade, ou de onde vem tal prática que a cada dia tem-se arraigado em nosso meio. Tenho prestado atenção nisto e percebo até pastores, como disse acima, orando dessa forma, isto é, dizendo alto e bom som: “Que Deus possa”, “Que tu passas ó Deus…”. É no mínimo entranho que tal costume esteja tomando corpo nos nossos arraiais. Daqui a pouco começaremos a “determinar a bênção”, ou a exigir de Deus que faça o que nós queremos já que somos Seus filhos.
Mais estranho para mim, se torna isto quando lembro q/ o Filho de Deus, mesmo diante do estigma da cruz, colocou-se sob o crivo da soberana e perfeita vontade de Deus Pai (Lucas 22.42).
Afinal, que Deus pusilânime é este? Deus que se torna subserviente às Suas criaturas! Abriu Ele mão de Seus atributos exclusivos? Deixou Ele de ser Soberano, Onipotente e Imutável para agradar ao homem? Para mim, Ele continua sendo o que foi, é, e o será eternamente ( Isaias 42.8: I Timóteo 6.15,16).
E como dizia Gioia Junior: “E chega de prosa!”.
Pr. Ibraulino Batista de Souza.

13.05.05

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