Os Crentes Estão Acomodados em Suas Catedrais de Vidro

Mensagens no Mural de Recados
www.palavradaverdade.com

Antonio:

Uma pergunta sempre me intriga: O quanto estamos dispostos a largar tudo para seguir ao Senhor Jesus?

Li um artigo sobre os pioneiros colonizadores europeus dos séculos XVI e XVII, que deixavam a vida confortável e segura do velho mundo – para os padrões da época, claro – e lançavam-se rumo ao absoluto desconhecido, na maioria das vezes sucumbindo na frenética e alucinada busca de riquezas no novo mundo, cegados pela extrema ganância, deles e das coroas que estavam a serviço e, sobretudo da igreja romana, ludibriados também por histórias fantásticas como a até hoje perseguida lenda do “El dorado”, uma mítica cidade toda feita de ouro. Um dos casos mais célebres foi o do explorador espanhol Francisco Orellana, que não contente em percorrer toda a extensão do Rio Amazonas (assim batizado por ele) das vertentes dos Andes até seu delta sem achar o tão sonhado ouro, voltou 5 anos depois para perecer com toda a sua expedição, massacrados num ataque de índios. Se homens cobiçosos e materialistas lançaram e lançam-se em aventuras em busca de fortuna e fama, não temendo nem a própria morte, quanto mais nós que, peregrinos e estrangeiros nesta terra, temos um tesouro que a mente humana não pode calcular: A vida na eternidade com Deus.

Pr Airton:

Parece que hoje em dia não são muitos os que se lançam na feliz e nobre missão de anunciar as Boas Novas. Os cuidados com a vida, a Internet e a TV são em parte empecilhos no caminho. Alguns até têm esse desejo, mas há uma grande distância entre o querer e o efetuar.
Igrejas com dinheiro de sobra também não estão dispostas a investir em lugares áridos, onde não há “retorno”. “Heróis da Fé” são coisas do passado, salvo melhor juízo. Encontro seguidores de seitas debaixo de um sol de 45 graus visitando casa por casa para ensinar heresias. Essa disposição não se encontra facilmente dentre os irmãos em Cristo. Todavia, apesar disso a Igreja cresce. Ainda bem. Mas poderia crescer muito mais. Estou num município dominado pelo alcoolismo e jogatina. Em cada casa um drama, lágrimas, dores, desespero. Sinto-me feliz porque estou fazendo o que posso, dentro de minha capacidade física. Nas manhãs de domingo, eu e minha esposa fazemos visitas; ouvimos os lamentos e oramos pelos oprimidos. Isso também é missão. A cachaça é a bebida preferida, por causa do baixo preço. Apesar disso, duas enormes garrafas de aguardente são colocadas como propaganda na Festa do Padroeiro, patrocinada pela Igreja Católica. Estamos em campanha permanente contra as drogas, principalmente contra a cachaça. Distribuímos 400 folhetos da campanha aos que estavam nessa festa. Cada um de nós no seu limite e na sua área e com suas posses deve cumprir a missão de pregar o Evangelho.

Antonio:

Os crentes estão acomodados em suas catedrais de vidro. Quem quer trocar o ar condicionado, as poltronas almofadadas, as pregações que massageiam o ego e prometem um reino nesta vida, onde o conforto material substitui cada vez mais o opróbrio de Cristo e a visão da glória celestial que só pela fé em Cristo Jesus podemos contemplar? Solidarizo-me com a sua luta, pois aqui onde moro – o outrora pacato interior paulista – também não é diferente. Chegando em casa do culto dominical, dei de encontro com duas jovens completamente embriagadas e abraçadas a uma garrafa de aguardente ou vinho, fazendo algazarras e gritando palavrões, sumindo numa esquina em meio às trevas. Isso para não entrar no tenebroso domínio do narcotráfico que tomou conta de nosso querido Brasil de norte a sul, leste a oeste. Faz-nos pensar na pergunta do Senhor em Lucas 18.8: “Quando, porém, vier o Filho do homem, achará fé na terra?”.

30/31.01.06

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