O Profeta Eliseu Recusou Proposta de Corrupção

NAAMÃ, conceituado chefe do exército do rei da Síria, não tinha dúvida de que o desconhecido e pobre profeta aceitaria a oferta: “Dez talentos de prata, seis mil ciclos de ouro e dez mudas de vestes”. Uma oferta generosa, equivalente a aproximadamente trezentos quilos de prata e setenta quilos de ouro, além de vestes finíssimas, próprias para ocasiões especiais (2 Rs 5.1-27).

Em que situação podemos enquadrar a generosidade de Naamã como uma tentativa de suborno? O presente foi oferecido depois e não antes do milagre. Logo, o profeta não se sentiu “motivado” a realizar o milagre em razão da oferta.

Diante do íntegro profeta Eliseu, Naamã teve duas decepções. A primeira foi não ter sido recebido com pompas, mesuras e honrarias apropriadas a uma renomada autoridade real. “Veio Naamã com os seus cavalos e com o seu carro e parou à porta da casa de Eliseu, que lhe mandou um mensageiro, dizendo: “Vai, e lava-te sete vezes no Jordão”, e ficarás curado (vv 9 e 10). Naamã ficou indignado. Como é que um profetinha desse me recepciona desse modo, manda um recado em vez de vir ele próprio falar comigo, e ainda exige que tire a roupa e me lave no rio Jordão?

Aquele foi o deserto que Naamã teve de enfrentar. Foi uma descida difícil à olaria de Deus. Olhou para sua lepra e resolveu obedecer. O caminho do sofrimento pode levar o pecador renitente a dobrar seus joelhos diante do Deus vivo.

A segunda decepção foi a recusa do profeta em receber a oferta. Naamã saiu da Síria convicto de que seu milionário presente faria grande diferença. Eliseu ficaria muito alegre e agradecido; poderia viver o resto da vida comendo do bom e do melhor; as portas do palácio real na Síria estariam abertas para ele, onde seria recebido com festas; poderia conseguir um emprego para seus familiares e amigos; ninguém mais teria dúvida da sua chamada profética; seria reconhecido pelas nações.

Disse Naamã ao profeta: “Agora, pois, te peço que tomes uma bênção do teu servo”. Porém ele disse: “Vive o Senhor, em cuja presença estou, que a não tomarei” (vv 15-16). Naamã não se deu por vencido; insistiu, falou baixinho, chamou a um canto da sala… Não adiantou. Eliseu continuou irredutível, firme como o monte Sião.

Nesse momento houve festa no céu. Deus mantém em todos os tempos uma reserva dos que não se dobram diante de Mamon. Onde está a tentativa de suborno? Se o profeta entendeu que não deveria receber a “bênção”, é porque sabia que desagradaria a Deus se o fizesse; todo o Israel ficaria sabendo; o povo de Deus ficaria envergonhado; Naamã aconselharia a quem quisesse visitar Eliseu, que se lembrasse de levar “alguma bênção”. É possível que Naamã concluísse que fizera o devido “pagamento” pela cura obtida. Enfim, Eliseu se sentiria comprado pelo rei da Síria e diminuído em sua santidade.

Hoje, igrejas há, e muitas, que exigem retribuição pecuniária pelos milagres, antes que aconteçam e para que aconteçam.

Com seu gesto, o profeta quis dizer a Naamã, a Israel e a todos nós que a honra e a glória pertencem ao Senhor.

26.09.2012

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