O Estado Intermediário dos Mortos

 

O Estado Intermediário é a situação em que se encontram todos os mortos, quer tenham morrido em Cristo, quer não. Dá-se o nome de “intermediário” porque as almas nesse estado aguardam o dia em que ressuscitarão para a vida eterna ou para a perdição eterna (1 Tessalonicenses 4.15-17). Noutras palavras, é o estado das pessoas entre a morte física e a ressurreição.   O lugar onde  se encontram é identificado no Antigo Testamento  como Sheol (no hebraico), e,  no  Novo Testamento, como Hades (no grego). Esses termos correspondem ao reino da morte (Salmos 18.5; 2 Samuel 22.5-6).  Antes da morte-ressureição de Jesus, no Sheol-Hades dividia-se em três partes distintas. Para melhor compreensão imaginemos um círculo dividido em três partes: na parte de cima, o lugar dos justos, conhecido como “Paraíso” (Lucas 23.43),  “Seio de Abraão” (Lucas 16.22),  “Lugar de Consolo” (Lc 16.25). Na parte de baixo, o lugar dos ímpios, chamado “Lugar de Tormentos” (Lc 16.23).  Entre a parte de cima e a de baixo fica o “Lugar de Trevas” (Judas 6),  “Cadeias da Escuridão” (2 Pedro 2.4),  “Abismo” (Lc 16.26),  “Prisão” (1 Pedro 3.19).

Há quem aceite a interpretação literal de Efésios 4.9 para afirmar que o Sheol-Hades se encontra nas profundezas da Terra, ou seja, no interior do nosso planeta. Para isto citam os seguintes versículos que falam de “sepultura”‘, “interior da terra”, “profundezas” e expressões semelhantes: Gênesis 37.35; Números 16.30,33; Jó 17.16; Salmos 30.3; 86.13; 139.8; Provérbios 9.18; 15.24; Isaías 38.18; Ezequiel 31.15; Amós 9.2.

Depois do Calvário houve uma mudança radical na composição do Sheol-Hades: a parte de cima – Paraíso, Seio de Abraão ou Lugar de Consolação – foi trasladada para o terceiro Céu, na presença de Deus. Jesus afirmou que as portas do Hades não prevaleceriam contra a Sua Igreja (Mateus 16.18). Por isso, “quando Ele subiu às alturas levou cativo o cativeiro” (Efésios 4.8). Esclarecendo: quando Jesus subiu aos Céus levou consigo os crentes do Antigo Testamento que estavam no “Seio de Abraão”. Esse traslado pode ter ocorrido entre a morte e a ressurreição de Jesus, em razão de Lucas 23.43 e  1 Pedro 3.19.

O “Lugar de Tormentos” e o  “Abismo” não sofreram alteração com a morte-ressurreição de Jesus.  A Bíblia, em Lucas 16.19-31, bem  ilustra  composição do lugar dos mortos (Sheol-Hades) antes do Calvário: o Seio de Abraão; o lugar de paz em que se encontrava Lázaro, e o “grande abismo” entre as duas partes. Os mortos sem Cristo continuam indo para o Hades.   No “Abismo” se encontram alguns dos anjos caídos,  “reservados para o Juízo” (2 Pedro 2.4; Apocalipse 9.2).  Convém lembrar:

  • Que os ímpios não podem sair do  Hades, uma prisão cuja chave está nas mãos de Jesus  (Apocalipse 1.18). O Diabo e seus demônios,  estão soltos por enquanto e enganam a muitos. Sheol-Hades não é um lugar de purificação das almas. A situação para quem está no Paraíso, com Cristo, ou no Hades (Inferno) é definida, irreversível. Antes do Calvário também era assim.  No Paraíso os fiéis aguardam a Primeira Ressurreição para a vida eterna (1 Tessalonicenses 4.16-17);  no Hades os ímpios aguardam a Segunda Ressurreição para o castigo eterno (Apocalipse 20.5,6,13-15).
  • Hades e Sheol são também traduzidas por inferno, tanto no Antigo Testamento (Deuteronômio 32.22; 2 Samuel 22.6; Jó 11.8; Salmos 16.10), como no Novo Testamento (Mateus 16.18; Provérbios 23.14; Apocalipse 1.18). Todavia, o inferno propriamente dito, a morada final dos ímpios, do Diabo e seus demônios, e do Anticristo, é o Lago de Fogo e Enxofre (Apocalipse  20; 20.10,14,15; 21.8).

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *