Adventista Responde às “Quarenta Perguntas aos Adventistas”

Autoria: José Renato
E-mail: [email protected]
Data: 25.02.2010

Consagrado Pastor Airton,
Venho com muita satisfação responder as quarentas perguntas postulada pelos autores diversos, e será de muita relevância fazer uma a uma com bases Bíblica e com muita paciência e relevância.
Segue mais abaixo a resposta da Primeira pergunta entre as quarentas!

1. Por quê vocês guardam apenas um dos sábados cerimoniais judaicos ordenados por Deus? A cada sete anos, no sétimo ano, acontecia o ano de sábado, ou sabático. Também o ano do jubileu era um sábado (Levítico 25:1-22). Por que guardam apenas um e deixam de guardar os outros, conforme ordenado por Deus?

O Sábado relatado em Ex 20:8-10 Escrito pelo dedo de Deus nas tabuas da lei diz Assim:
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar, Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.
Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.
PORQUE em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou.

Vemos que o quarto mandamento da lei de Deus o Sábado, faz-se uma referencia a Criação de Deus relatado em Gênesis 2:1-2 não só para descanso mas também porque antes de existir Judeu no mundo ou qualquer outro ser Humano alem de Adão e Eva este dia foi abençoado e santificado, o Sábado semanal foi instituído na criação, e nele Deus descansou.
Marcos 2:27 diz: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.
Então o sábado descrito em Ex 20:8-10 foi feito por causa do Homem e não por causa do Judeu. Foi escrito para os Judeus porque este foi a nação escolhida na época por Deus.

Devemos dividir a Lei Moral da Lei Cerimonial para chegarmos a uma conclusão precisa deste assunto.
É verdade que nem uma nem outra lei recebe escrituristicamente tais designações ( “ LEI MORAL E LEI CERIMONIAL”), dentro da Bíblia Sagrada; entretanto, é bom lembrarmos que o fato de isto não aparecer na forma escrita, não invalida sua essência, pois o princípio claro nos mandamentos escritos por Deus, nas tábuas de pedra, são princípios morais e eternos, ao passo que grande parte dos escritos que Deus mandou Moisés escrever contem princípios cerimoniais, militares, civis, ou seja, preceitos circunstanciais, transitórios, etc. Estamos convictos de que nenhum cristão fiel às Escrituras se oporia a veracidade da doutrina da Trindade pelo simples fato de tal nomenclatura não fazer parte da escrita bíblica; porém, o que importa, em ambos os casos, é a essência da qual derivam as suas definições.
Numa linguagem fácil e simples de entender, na Bíblia não encontramos a palavra moral assim como não encontramos a palavra Trindade e nem por isso desprezamos a divindade Triúna. mas entendemos que o decálogo ( Os Dez Mandamentos ) é a Lei moral de Deus, porque quem as respeita matem na integra a moralidade do Homem para com Deus e para com o próximo. motivo porque a lei moral foi escrita em duas tábuas e não Uma.

SÁBADOS CERIMONIAIS
O tratamento que Deus dá a estes sábados é bem diferente.e de fácil compreensão.
DEUS OS CHAMA DE “OS VOSSOS SÁBADOS”
“…duma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado.” (Lev. 23:32).“E farei cessar… as suas luas-novas, e os seus sábados…” Oséias 2:11.
Esses sábados cerimoniais eram em número de sete. Eles tinham uma finalidade: “Eram sombras das coisas futuras” (Heb. 10:1). Aconteciam durante o transcorrer do ano judaico. Eram datas fixas em dias móveis; data fixa quer dizer um dia de determinado mês. Dia móvel indica que esse dia podia cair numa segunda-feira, quarta, sexta, etc. Quando o sábado cerimonial caia no Sábado do sétimo dia, este era considerado “Sábado grande”. João 19:31.
Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.
Exemplo: 15 de Novembro é feriado nacional, mas ele não cai todos os anos no mesmo dia da semana. Há ocasiões em que ocorre na segunda, quinta, domingo e até mesmo no Sábado.
Veja, então, a data é fixa: 15 de Novembro. Mas o dia é móvel: pode cair em qualquer dia da semana, e quando acontece, é feriado. Eram feriados fixos. Esses festivais sabáticos estão em Levíticos capítulo 23 e eram os seguintes:
• 1º Sábado – Páscoa – 15º dia do primeiro mês
• 2º Sábado Festa dos Pães Asmos – 21º do primeiro mês.
• 3º Sábado – Festa das Prímicias(Pentecostes) – 6º dia do terceiro mês.
• 4º Sábado – Memória da Jubilação(Festa das Tormbetas) – 1º dia do sétimo mês.
• 5º Sábado – Dia da Expiação(Yonkipur-Grande yoma) – 10º dia do sétimo mês.
• 6º Sábado – 1º Dia da Festa dos Tabeernáculos – 15º dia do sétimo mês.
• 7º Sábado – Último dia da Festa dos Tabernáculos – 22º dia sétimo mês.
Esses dias eram chamados sábados, porque, ao chegarem, imprimiam na mente dos israelitas a mesma santidade do Sábado semanal. Como vê,caro Pastor, nesse exaustivo consultar da Bíblia, denota-se que há uma diferença entre o Sábado de Deus (semanal) e o Sábado do homem (cerimonial).
Veja alguns comentários a respeito do assunto:
O Sábado semanal foi instituído na criação, e nele Deus descansou.
O Sábado cerimonial foi instituído no Sinai, e nele Deus não descansou.
O Sábado do sétimo dia era guardado 52 vezes ao ano (uma vez por semana)
O Cerimonial o era 7 vezes ao ano.
O Sábado do sétimo dia foi criado antes da queda do homem
O cerimonial, após a entrada do pecado.
O Sábado do sétimo dia da semana foi criado “no ambiente da original perfectibilidade edênica, em que o homem, sem a jaça do pecado, privava com o seu Pai Celestial.” – Subtilezas do Erro, pág. 136.

“O Sábado parece ter sido ordenado aos nossos pais logo que foram criados; e juntamente com a instituição do casamento constituem as únicas relíquias que nos restam da vida sem pecado no paraíso.será que Isso não nos leva a compreender de maneira mais profunda o proposito de Deus para com a Familia e o dia de Sábado?
O mandamento de santificá-lo foi incluído entre os Dez Mandamentos, a lei moral, QUE É DE OBRIGAÇÃO PERPÉTUA.”
– Comentário do Evangelho de São Mateus, Vol. 1, pág. 344, de John A. Broadus (teólogo Batista)

“O Sábado é de OBRIGAÇÃO PERPÉTUA… A sua instituição antedata o Decálogo e forma parte da Lei Moral.” – Teologia Sistemática, pág. 408, de A.H. Strong (teólogo Batista)

Bem querido pastor, como o Sábado do Decálogo não é cerimonial, pelo que foi apresentado neste estudo, e alicerçado nestas duas declarações, reasseguro-lhe:
Porque guardamos o sábado semanal e não o cerimonial ?
pergunta bem elabora pelo autor desconhecido, alias estes dias notei algo muito interessante em uma vinheta da TV futura que dizia: “não são as respostas que movem o mundo mas sim as perguntas”
Por que guardam apenas um e deixam de guardar os outros, conforme ordenado por Deus?
segundo a conclusão irrecorrível a que nos leva a Bíblia em 2 Col 2:14:16
Paulo deixa claro no que Diz:
Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ORDENANÇAS, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, CRAVANDO-A NA CRUZ.
E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.
Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados.

Ainda que temos vários pontos de interpretação deste Texto, podemos dizer que estes sábados cerimoniais foi cravado na cruz como fica claro na passagen citada. O sabado moral manteve perpétuo “Assunto para o proximo artigo”
Sabemos que as “Ordenanças” são prescrições litúrgicas, e isto não se aplica a Lei Moral. Compare em Hebreus 9:1. Ordenança “é um rito religioso ou cerimonial ordenada por autoridade divina ou eclesiástica” – define, com propriedade, o autorizado
Standard Dictionary.
Coloquemos o quadro que Paulo nos pinta, na sua moldura contemporânea. A igreja de Colossos (a exemplo das de Galácia, Éfeso, Roma e outras) enfrentava dissensões internas em virtude da ação conservadora dos elementos judaizantes, isto é, judeus que aceitavam o evangelho, ingressavam na igreja, mas conservavam práticas do judaísmo e pretendiam impô-las aos cristãos vindos do gentilismo. Entre estas práticas estava a observância da lei cerimonial, notadamente os dias de festas (Páscoa, Pentecostes, Dia da Expiação, Festa dos Tabernáculos, Lua Nova e outras). Como é natural, no passo que estamos considerando, Paulo quis dizer aos cristãos de Colossos que estas ordenanças e festividades foram riscadas ou cravadas na cruz tendo vindo Cristo, a Realidade, automaticamente cessaram os tipos e “sombras” que para Ele apontavam.
O contexto esclarece alguma coisa do conteúdo desta “cédula de ordenança”. Alguns dos seus itens se acham registrados no versículo 16, ligado aos versículos anteriores pela conjugação “portanto”. Lemos que aí consta comer, beber, festividades, lua nova e sábados prefigurativos, tudo averbado de “sombras de coisas futuras”. Ora, resta ver em qual código constavam tais exigências ritualistas e festivas.
Aproveitando o assunto Consultaremos o Decálogo. Examinemos-lhe os preceitos.
Há nele algum mandamento sobre comer ou beber?
E sobre os dias de festas e Lua Nova?
Não!
Nele só há preceitos morais e éticos. Nenhuma “ordenança”, portanto.

Sabemos que Moisés escreveu um livro, cujo o conteúdo consistia de estatutos civis, preceitos higiênicos, ordenanças levíticas e regulamentos sobre festividades, Lua Nova, manjares, ofertas, sacrifícios, etc. (Deuteronômio 31:24 e Êxodo 24:4 e 7).
A parte propriamente cerimonial e festival estava em Êxodo 23:14 a 19; capítulos 29 e 30; Levítico capítulos 1 a 7, 21, 22, 23, etc.
E todas estas coisas estavam no livro de Moisés, mas não em tábuas do Decálogo, escritas pelo dedo de Deus. (Êxodo 31:18)
Notemos que esta cédula de ordenanças nos era contrária. porque era complicadíssima e onerosa a lei Cerimonial, com suas exigências difíceis e até penosas, tendo preenchido a sua passageira finalidade com a morte de Cristo, tornou-se invigente, desnecessária e mesmo contrária ao cristão.
Não assim com a Lei Moral de Deus, que é santa, justa, boa, espiritual e prazerosa (Romanos 7:12, 14 e 22), e estabelecida na dispensação evangélica, Romanos 3:31. Não pode a Lei de Deus ser confundida com uma precária cédula de ordenanças que foi riscada. Comidas, bebidas, festividades… Evidentemente, que não se trata do Decálogo, mas meramente de coisas transitórias, “sombras de coisas futuras” – como o próprio texto afirma.
Portanto, segundo a conclusão irrecorrível a que nos leva a Bíblia, os textos apresentados referem-se inequivocadamente à lei Cerimonial.
Foi riscada, é evidente, e cravada na cruz.
Tão clara é a Bíblia! E ainda para, subsidiariamente, concluir esta parte, citemos o notável comentador Adam Clarke, que sobre este ponto diz:
“‘Ninguém vos julgue pelo comer ou beber’… O apóstolo aqui se refere a algumas particulares do escrito de ordenanças, que foram abolidas, a saber, a distinção de carnes e bebidas… e a necessidade da observância de certos feriados e festivais, tais como a Luas Novas e sábados particulares ou aqueles que deviam ser observados com incomum solenidade; todos eles foram abolidos e cravados na cruz, e não mais eram de obrigação.” – Clarke’s Commentary.
Aí está uma interpretação insuspeita e valiosa!
Até aqui querido pastor não medi esforços para esclarecer respostas concisas sobre cada pergunta que aparentemente coloca os adventistas do Sétimo dia sob Suspeita e dúvida com a verdade.
Sou muito grato pela fineza do pastor a todo instante.
Segue logo abaixo um artigo sobre o mesmo assunto pelo autor Francis D. Nichol

só faz necessario lêr si o assunto que o pastor acaba de lêr
ficou Prolixo.

As outras respostas segue no decorrer do Mês

Lei Moral X Lei Cerimonial

Objeção: Os adventistas procuram provar que há duas leis descritas na Bíblia: A lei moral e a cerimonial. Mas existe apenas uma lei e todas duas foram abolidas!.

Será?

O raciocínio da objeção é este: Há somente uma lei e a Bíblia fala claramente de uma lei abolida; portanto, os Dez Mandamentos foram abolidos, inclusive, necessariamente, o quarto, em que os adventistas constroem seu argumento para o sábado.

Tanta argumentação falsa tem sido elaborada em torno da doutrina de uma só lei que ela deve ser considerada detalhadamente.

A palavra “lei” é usada na Bíblia de várias maneiras. Na frase “a lei e os profetas”, a palavra “lei” significa um tanto uniformemente os livros de Moisés, porque em seus escritos as leis de Deus são especialmente apresentadas.

A palavra “lei” é às vezes usada sem referência a algum código específico, como um termo coletivo para descrever qualquer uma e todas as leis. Por outro lado, a palavra “lei” é freqüentemente empregada para designar um código específico (por exemplo, a lei moral ou a lei cerimonial), como procuraremos mostrar.

Afirmar que toda vez que a Bíblia usa a palavra “lei” significa o mesmo código seria tão razoável como afirmar que cada vez que a Bíblia usa a palavra “dia” quer dizer o mesmo período de tempo. Os fatos são que “dia” pode significar: (1) a parte clara do ciclo de vinte e quatro horas, como dia em contraste com noite; ou (2) todo o período de vinte e quatro horas, como sete dias em uma semana; ou (3) um período indefinido de tempo, como “agora é o dia da salvação”. O que pensaríamos da pessoa que raciocinasse que, porque certos textos da Bíblia falam do fim do dia, o dia da salvação necessariamente terminou?

A Bíblia diz que “a lei” foi “abolida” por Cristo (veja Efésios 2:15). Mas Paulo, que escreveu esta afirmação, também declara: “Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rom. 3:31).

O contraste entre as declarações é acentuado quando se chama a atenção para o fato de que Paulo usou a mesma raiz grega para as palavras aqui traduzidas por “aboliu” e “anulamos”. Esta raiz, ‘katargeo’, significa “tornar inoperante”, “fazer cessar”, “suprimir”, “anular”, “abolir”.

Mas disse Paulo, o escritor inspirado, a uma igreja que “a lei” está abolida”, e então a outra igreja exclama “De maneira nenhuma!”, ante à própria idéia de que “a lei” está abolida, e se refere à mesma lei em cada exemplo? Obviamente, Paulo deve estar falando de duas leis diferentes. Estes dois textos são suficientes em si mesmos para expor a falácia do argumento de que a Bíblia fala de apenas uma lei.

O primeiro registro formal de qualquer código de leis divinas para o homem foi no tempo do Êxodo. Foi então que Deus, o qual havia escolhido um povo para o Seu nome, o colocou a caminho da Terra Prometida. Não havia Escrituras nos primeiros séculos, pois nenhum dos sessenta e seis livros da Bíblia tinha sido escrito.

Através de Moisés, Deus começou a dar aos homens uma revelação escrita, a fim de guiá-los. Desse tempo em diante, com uma notável exceção, as palavras de Deus para o homem, inclusive Suas leis, foram escritas por agentes humanos, os profetas. Essa única exceção foi um código de leis que Deus falou com Sua própria voz. A história sagrada não registra nenhum outro sermão jamais pregado ao ser humano em meio da glória sobrenatural e chamejante que circunda o eterno Deus.

Referindo-se a esse único exemplo majestoso, Moisés disse a Israel: “Agora, pois, pergunta aos tempos passados, que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, desde uma extremidade do céu até à outra, se sucedeu jamais coisa tamanha como esta ou se se ouviu coisa como esta; ou se algum povo ouviu falar a voz de algum deus do meio do fogo, como tu a ouviste, ficando vivo” (Deut. 4:32 e 33).

E quando Deus havia pronunciado o código, os “dez mandamentos”, o relato declara: “E nada acrescentou” (veja Deuteronômio 4:13; 5:22). O sermão havia terminado, era um conjunto completo, não havia mais nada que Deus desejasse acrescentar.

Em seguida, Ele escreveu o sermão com Sua própria mão em “duas tábuas de pedra” (Deut. 5:22). Em nenhum outro documento na história humana tem a mão de Deus escrito. “As tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas” (Êxo. 32:16). E o que Deus escreveu naquelas tábuas de pedra foi descrito por Ele como “a lei” (veja Êxodo 24:12).

Então segue-se outro momento dramático, após a entrega e a escrita dessa “lei”. Moisés iniciou sua descida do monte com as duas tábuas nas mãos. Estava levando para Israel o registro permanente daquele impressionante sermão proferido pelo Deus do Céu. Sua indignação à vista dos israelitas adorando o bezerro de ouro o levou a arremessar as pedras ao chão e quebrá-las, um símbolo de sua transgressão do código divino.

Ordenou então o Senhor a Moisés que escrevesse uma cópia a fim de tomar o lugar das tábuas quebradas? Não. O Senhor escreveu os Dez Mandamentos uma segunda vez em novas tábuas de pedra. Realmente, um código muito distinto para que o próprio Deus o escrevesse duas vezes em pedra. Ele confiou aos Seus profetas muitas mensagens vitais para o homem, mas os Dez Mandamentos Ele mesmo escreveu.

O ponto focal, o objeto mais sagrado do serviço religioso instituído por Deus para os israelitas, foi a arca da aliança, acima da qual pairava a santa luz da presença divina. Quando, nas jornadas dos israelitas, a arca era posta em movimento, ninguém devia tocá-la para que não morresse. E, dentro daquele mais sagrado dos objetos sagrados do santuário, foi Moisés instruído a colocar as tábuas de pedra (Deut. 10:5). Nenhum outro código de leis foi colocado dentro daquela arca sagrada. “Nada havia na arca senão as duas tábuas de pedra, que Moisés ali pusera junto a Horebe” (I Reis 8:9).

Novamente, esse código de leis foi distinguido como a base de uma aliança entre Deus e os israelitas. Aqueles que se opõem à doutrina bíblica da perpetuidade da lei moral, conforme crêem os adventistas, têm procurado apoiar sua opinião com este fato (veja a objeção 5).

Eles se esquecem, porém, de que o próprio fato de a lei dos Dez Mandamentos ser descrita como a base única de uma aliança prova mais uma vez que o Decálogo é um código distinto, não devendo ser confundido com nenhum outro. Moisés disse a Israel: “Então vos anunciou Ele a Sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Deut. 4:13).

Façamos um resumo destes fatos históricos concernentes à entrega da lei dos Dez Mandamentos:

1. Deus proferiu a lei com Sua própria voz aos ouvidos de todo o Israel. Ele não deu nenhuma outra lei deste modo. “E nada acrescentou.”

2. Deus escreveu a lei dos Dez Mandamentos com o Seu próprio dedo. Essa é a única lei que Ele já escreveu para o ser humano.

3. Deus escreveu a lei em tábuas [de pedra], e Ele mesmo preparou as tábuas. Trata-se da única lei no relato bíblico que foi assim escrita.

4. Deus mandou Moisés descer do monte à vista de todo o Israel, levando as duas tábuas de pedra que continham somente os Dez Mandamentos.

5. O próprio Deus reescreveu a lei depois de ter Moisés quebrado as primeiras tábuas.

6. Deus instruiu Moisés a colocar as tábuas dentro da arca da aliança, sendo a única lei honrada desse modo.

7. Deus declarou que a lei dos Dez Mandamentos era “sua aliança”, sendo a única lei assim descrita.

Contudo, os objetores professam ser incapazes de encontrar na Bíblia quaisquer fundamentos para crer que a lei dos Dez Mandamentos seja um código distinto de leis, que não deve ser confundido com nenhum outro código. Gostaríamos de perguntar: se eles pudessem ter ditado a maneira da entrega dessa lei, e tivessem desejado dar prova convincente de que ela era uma lei separada, que procedimento poderiam possivelmente ter seguido que a teria destacado mais plena ou mais dramaticamente?

A outra lei apresentada no Sinai

Mas a lei dos Dez Mandamentos não foi a única apresentada formalmente por Deus no Sinai. Havia um código de leis cerimoniais que provia as regras para o ritual religioso que os judeus deviam seguir; por exemplo, seus sacrifícios e ofertas, seus dias de festa anuais, os deveres do sacerdócio. O livro de Levítico está repleto dessas leis. Havia também as leis civis para governar os judeus como nação, como as leis sobre casamento, divórcio, posse de escravos e propriedade (veja Êxodo 21).

Até onde permitiam a obscura compreensão espiritual e disposição dos israelitas, o Senhor fez com que esses estatutos civis refletissem o perfeito ideal expresso na lei dos Dez Mandamentos. O estatuto sobre a posse de escravos é uma ilustração da adaptação do princípio moral à baixa condição espiritual de um povo. Do estatuto do divórcio, Cristo declarou: “Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.” Mat. 19:8 (veja Marcos 10:4-6).

Mas estas leis cerimoniais e civis não foram dadas diretamente por Deus às hostes de Israel. Quanto à maneira como Deus tornou conhecidas essas leis, quem as escreveu e onde foram depositadas, as Escrituras são claras:

1. Depois de declarar que o Senhor escreveu os Dez Mandamentos “em duas tábuas de pedra”, Moisés acrescenta imediatamente: “Também o Senhor me ordenou, ao mesmo tempo, que vos ensinasse estatutos e juízos” (Deut. 4:13 e 14).

Um autor bíblico posterior apresenta a mesma distinção: “E não farei que os pés de Israel andem errantes da terra que dei a seus pais, contanto que tenham cuidado de fazer segundo tudo o que lhes tenho mandado e conforme toda a lei que Moisés, meu servo, lhes ordenou” (II Reis 21:8).

Recordando os eventos do Sinai, Neemias, em oração ao Senhor, também menciona o fato de que certas leis foram pronunciadas por Deus e outras foram dadas a Israel por intermédio de Moisés: “Desceste sobre o monte Sinai, do céu falaste com eles e lhes deste juízos retos, leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons. O teu santo sábado lhes fizeste conhecer; preceitos, estatutos e lei, por intermédio de Moisés, teu servo, lhes mandaste” (Nee. 9:13 e 14).

2. “Esta lei, escreveu-a Moisés” (Deut. 31:9).

3. “Tendo Moisés acabado de escrever, integralmente, as palavras desta lei num livro, deu ordem aos levitas que levavam a arca da Aliança do Senhor, dizendo: Tomai este livro da lei e ponde-o ao lado da arca da Aliança do Senhor, vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti” (Deut. 31:24-26). Os comentaristas concordam com esta tradução do hebraico: “ponde-o ao lado da arca”.

Pelo fato de que a lei cerimonial e também os estatutos civis foram escritos por Moisés e por ele dados ao povo, eles são geralmente descritos na Bíblia como “a lei de Moisés”. Veja, por exemplo:

1. II Crôn. 23:18: Os sacerdotes deveriam oferecer os holocaustos “como está escrito na lei de Moisés”.

2. II Crôn. 30:16: Os sacerdotes celebram a Páscoa “segundo a lei de Moisés”.

3. Esd. 3:2: A construção de um altar para holocaustos ocorre “como está escrito na lei de Moisés”.

4. Dan. 9:13: A destruição de Jerusalém tinha vindo “como está escrito na lei de Moisés.”

5. Mal. 4:4: “Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe [Sinai] para todo o Israel.”

O Novo Testamento também revela, em muitas de suas referências à lei, a mesma distinção entre a lei dos Dez Mandamentos e o código de leis dado por intermédio de Moisés. Note as seguintes referências à lei de ritos e cerimônias, às vezes descrita como a “lei de Moisés” e às vezes simplesmente como “a lei”:

1. “E, se o homem pode ser circundado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada” (João 7:23).

2. “Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés” (Atos 15:5). Mais adiante no capítulo, quando a alegação desses fariseus é reafirmada, abrevia-se a mesma deste modo: “Deveis ser circuncidados, e guardar a lei.” Verso 24. [Esta última frase, encontrada na Versão King James, não existe na Versão Almeida.]

Isso ilustra como um escritor do Novo Testamento pode usar a expressão não qualificada, “a lei”, e ainda significar uma lei muito específica (neste caso, “a lei de Moisés”). O contexto geralmente é suficiente para esclarecer a que lei se está referindo.

Certamente, se a circuncisão está sob discussão no Novo Testamento (e freqüentemente é este o pomo da discórdia), é suficiente fazer referência ao código de leis que prescreve a circuncisão simplesmente como “a lei”; isto é, a lei de ritos e cerimônias dada por Moisés.

3. “A lei dos mandamentos na forma de ordenanças” (Efés. 2:15).
4. “Os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamentos de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo” (Heb. 7:5).

5. “Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei.” Verso 12.

6. “Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza.” Verso 28.

7. “Visto existirem aqueles [sacerdotes] que oferecem os dons segundo a lei” (Heb. 8:4).

8. “Quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue” (Heb. 9:22).

9. “Ora, visto que a lei tem sombra dos bens futuros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem” (Heb. 10:1).

Diferenças marcantes
A lei dos Dez Mandamentos não dá nenhuma instrução sobre holocaustos, a Páscoa, a construção de um altar, os juízos que viriam sobre Jerusalém por causa da desobediência, a circuncisão e a ordem do sacerdócio. Mas a Bíblia reiteradamente revela que há uma “lei” que fornece tal instrução. Esta lei é a lei cerimonial, descrita na Bíblia como a “lei de Moisés”.

É verdade que “a lei de Moisés” era também a lei de Deus, porque Deus era o autor de tudo o que Moisés escreveu. Por isso, não é estranho que um escritor da Bíblia descreva, ao menos ocasionalmente, a lei de Moisés como “a lei do Senhor”, embora tais exemplos sejam poucos. Veja o caso de Lucas 2:22 e 23, onde ambas as expressões são usadas para descrever a mesma lei. Entretanto, em nenhum lugar na Bíblia a lei dos Dez Mandamentos é chamada “a lei de Moisés”.

Note, agora, algumas referências representativas do Novo Testamento a outra lei, que não trata de ritos e cerimônias, mas de questões morais, a lei dos Dez Mandamentos, à qual também se faz alusão, às vezes, como simplesmente os mandamentos.

1. “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mat. 19:17). Cristo cita então imediatamente vários dos Dez Mandamentos.

2. “Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado descansaram, segundo o mandamento” (Luc. 23:56).

3.“Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rom. 7:7).

4. “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade” (Tia. 2:10-12).

5. “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei” (I João 3:4). Qual lei? Certamente ninguém na era cristã acredita que uma falha em obedecer à lei concernente a ritos e cerimônias é pecado.

Contudo, João nos adverte de que transgredir a “lei” é pecado. Ele não sentiu necessidade de explicar a qual “lei” se referia. Quão eloqüentemente isso indica que havia uma lei, conhecida por todos os leitores de João, que era a regra moral da vida!

Que consternação e confusão teriam suas palavras criado entre os cristãos do primeiro século se eles estivessem laborando sob a impressão de que havia apenas uma lei, uma lei que era uma mistura de preceitos morais e cerimoniais! E que a transgressão dessa lei na era cristã é pecado!

Concluindo, apresentemos um resumo de algumas das declarações contrastantes feitas na Bíblia no que concerne aos códigos de leis moral e cerimonial:

A Lei Moral / A Lei Cerimonial

A Lei Moral
A Lei Cerimonial

1. Proferida pelo próprio Deus. Êxo. 20:1 e 22.
1. Proferida por Moisés. Êxo. 24:3.

2. Foi escrita por Deus. Êxo. 31:18; 32:16.
2. Escrita por Moisés. Êxo. 24:4; Deut. 31:9.

3. Em pedras. Êxo. 31:18.
3. Em um livro. Êxo. 24:4 e 7; Deut. 31:24.

4. Entregue por Deus, Seu escritor, a Moisés. Êxo. 31:18.
4. Entregue por Moisés, seu escritor, aos levitas. Deut. 31:25 e 26.

5. Depositada por Moisés “na arca”. Deut. 10:5.
5. Depositada pelos levitas “ao lado da arca”. Deut. 31:26.

6. Lida com preceitos morais. Êxo. 20:3-17.
6. Lida com assuntos rituais e cerimoniais (ver. partes de Êxo., Lev., Núm. e Deut.).

7. Revela o pecado. Rom. 7:7.
7. Prescreve ofertas para o pecado (veja o livro de Levítico).

8. A transgressão da “lei” é “pecado”. I João 3:4.
8. Não há pecado em sua transgressão, porque agora está “abolida”. Efés. 2:15. (“Onde não há lei, também não há transgressão” Rom. 4:15.)

9. Devemos guardar “toda a lei.” Tia. 2:10.
9. Os apóstolos não deram “nenhuma autorização” para guardar a lei. Atos 15:24.

10. Porque seremos julgados por esta lei. Tia. 2:12.
10. Não devemos ser julgados por ela. Col. 2:16.

11. O cristão que guarda está lei “será bem-aventurado no que realizar”. Tia. 1:25.
11. O cristão que guarda esta lei não é abençoado (ver. Gálatas 5:1-6).

12. A “lei perfeita, lei da liberdade”. Tia. 1:25 (cf. 2:12).
12. O cristão que guarda esta lei perde sua liberdade. Gál. 5:1 e 3.

13. Disse Paulo: “Tenho prazer na lei de Deus.” Rom. 7:22 (cf. verso 7).
13. Paulo chamou esta lei de “jugo de escravidão”. Gál. 5:1 (veja Atos 15:10).

14. Estabelecida pela fé em Cristo. Rom. 3:31.

14. Abolida por Cristo. Efés. 2:15.

15. Cristo deveria “engrandecer a lei e fazê-la gloriosa.” Isa. 42:21.
15. Cancelado “o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças”. Col. 2:14.

16. “Bem sabemos que a lei é espiritual.” Rom. 7:14 (cf. verso 7).
16. “A lei de mandamento carnal.” Heb. 7:16.

Essas e outras comparações que poderiam ser feitas revelam, além de toda controvérsia, que a Bíblia apresenta duas leis. Chegar a outra conclusão seria afirmar que a Bíblia apresenta uma irremediável série de contradições.

Admitimos que existem certas referências à “lei”, principalmente nos escritos de Paulo, onde o contexto deixa de esclarecer completamente a que lei está se referindo. Em alguns casos parece evidente que nem uma nem outra lei é particularizada, mas apenas o princípio da lei, em contraste com a graça, está sob consideração. Porém, isso não fornece nenhuma prova de que existe apenas uma lei. Porque existem na Bíblia textos obscuros e difíceis, isso não significa que não podemos ter certeza do significado de textos claros e simples. Os textos facilmente compreensíveis devem guardar-nos de tirar falsas conclusões dos textos difíceis.

A referência às duas leis em termos de séculos antes de Moisés também nos ajudará a manter uma clara distinção entre elas. Embora possamos com exatidão focalizar o Êxodo como o grande momento da entrega da lei moral e cerimonial, não devemos concluir que o tempo antes de Moisés foi um período sem lei, pelo menos de nenhum Decálogo.

Examinaremos este ponto mais plenamente na objeção número 3. Aqui precisamos apenas observar que os Dez Mandamentos existiam no Éden. Também as primeiras tenras raízes da videira cerimonial, que deveria desenvolver-se plenamente no Êxodo, apareceram na forma de simples serviços sacrificais de nossos primeiros pais depois da entrada do pecado.

Quem não teve a experiência de contemplar uma árvore altaneira e maravilhar-se ante sua densa e variada folhagem, apenas para descobrir, com um exame mais cuidadoso, que uma planta trepadeira está entrelaçada em torno da árvore e o que parecia ser uma é realmente duas.

Apesar de um olhar à distância para um alto ramo, principalmente se ele está balançando na brisa, deixe de revelar este fato, um exame do tronco perto das raízes, onde a trepadeira fez seu primeiro contato com a árvore, não deixa dúvida de que há duas árvores.

Ora, o Decálogo poderia ser comparado a uma árvore imponente, com dez fortes ramos, que nossos primeiros pais encontraram florescendo no jardim do Éden. Depois da sua queda, uma trepadeira da lei cerimonial foi plantada por perto, regada pelo sangue de sacrifícios animais.

Durante séculos, a trepadeira cresceu pouco, se é que cresceu. Então, no tempo do Êxodo, ela subitamente assumiu uma forma definida e tornou-se grande. A árvore não precisou da trepadeira para viver, mas a trepadeira era inteiramente dependente da árvore. Nos séculos posteriores, a inclinação dos homens era sempre em torno de cultivar a trepadeira em vez de cultivar a árvore, até que a folhagem da trepadeira quase ocultou a árvore e ameaçou sufocá-la.

É, portanto, fácil compreender por que hoje alguns cristãos, olhando para a palavra bíblica que retrata essa árvore, deixem de ver que as duas não são uma. Isso é verdade principalmente se os ventos da discussão teológica estão balançando os ramos. Mas, como acontece com uma árvore literal, não precisa haver nenhuma incerteza no assunto se a atenção está focalizada não nos ramos mais altos, mas no tronco e nas raízes. Falando literalmente, um exame da origem das duas leis e sua entrega formal no Êxodo não deixa nenhuma possível dúvida de que eram duas.

Os adventistas nem podem alegar qualquer visão bíblica especial em discernir que há duas, não uma. Desde o tempo da Reforma protestante, as grandes entidades eclesiásticas têm percebido isso claramente e registrado o fato em seus credos e confissões de fé! A alegação de que existe apenas uma lei tem tido aceitação entre um certo segmento de cristãos em uma fervorosa tentativa de enfrentar a força da evidência do sábado que agora está sendo tão vigorosa e amplamente apresentada pelos adventistas.

Autoria: José Renato
E-mail: [email protected]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *