A integridade de um morador de rua: “O dinheiro não era meu”

Deu na mídia

“Rejaniel de Jesus Silva, de 36 anos, mora na rua com a mulher Sandra Regina Domingues, de 35, há quatro meses e ganha cerca de R$ 15 por dia vendendo material reciclado. Nesta segunda-feira [09.07.2012], o que parecia ser a sorte grande caindo a seus pés esbarrou na consciência do catador. O casal achou R$ 20 mil na Radial Leste e, desconfiado, preferiu entregar o dinheiro à polícia. “Eu pensei no que minha mãe ensinou, de nunca pegar nada dos outros”, disse.

Pobre, porém honesto, Rejaniel, perguntado por qual razão tomou aquela atitude, ele apenas disse: “O dinheiro não era meu”.

Não é errado imaginarmos que a maioria faria o contrário. Ficaria com o dinheiro escondido por algum tempo e, depois, passaria a viver uma vida mais tranqüila.

A desonestidade aliada à tese de que o negócio é tirar proveito de tudo e de que o dinheiro é a solução para todos os problemas, faz com que os honestos, quando surgem, sejam considerados anormais.

Minha modesta sugestão é que esse íntegro casal, que vive do produto do seu trabalho com venda de material reciclado, seja convidado para dar uma palestra no Congresso Nacional – Câmara Federal e Senado – a fim de ensinar aos parlamentares o mais elementar de todas as lições: Não devemos tomar posse de dinheiro alheio, seja público ou particular, seja do governo, de uma empresa ou de uma pessoa.

Talvez alguns parlamentares tivessem dificuldade em entender tal gesto. “Uma burrice”, diriam alguns. “Falta de orientação”, diriam outros.

A foto do casal, com a legenda “o dinheiro não era meu”, deveria ter sido colocada no STF, no começo do julgamento do “Mensalão”. Seria um explícito ato de honestidade fotografado e documentado, contrastando com tantos roubos de milhõe$ filmados, comprovados e gravados.

Quem sabe a foto referida servisse de lição aos réus.

25.08.2012

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