Yamaha, Meu Velho Companheiro

Completa trinta anos de bons serviços prestados. É compreensível o nosso cansaço, o dele e o meu, depois de tanto chão percorrido.

Pela primeira vez, presto-lhe uma justa homenagem.

Nós nos conhecemos muito bem. Corria o ano de 1978. Foi amor à primeira vista, na Zona Franca de Manaus. Fez sucesso em muitas serestas e rodas de samba. Aprendi com ele, ele comigo. Conheço seus segredos, seus gemidos agudos e graves.

Algumas de suas teclas não suportaram o peso de minhas mãos, e fraquejaram. De vez em quando, precisam ser reanimadas. Minhas mãos e pernas também não aro fraquejam. Mas o velho amigo não reclama das intempéries. Como um bom soldado, está de prontidão. Talvez tenha aprendido comigo. Ou eu aprendi com ele?

Sua primeira apresentação num templo evangélico se deu em 1993. Uma nova etapa. Já acompanhou uns 3.000 hinos e ouviu uns 500 sermões. Após três anos de férias, retorna com a mesma disposição. Diriam alguns que ele está devidamente “ungido”.

Meu velho companheiro! Receba esta homenagem que vem com bastante atraso. A caminhada foi longa; singramos mares bravios, passamos por perigosos vales e derrubamos muitos gigantes. Quando se dará a nossa separação? Sua resistência é invejável. Poucos possuem a sua idade. Você está sempre disposto a cantar e cantar. O seu diapasão se apresenta incólume, capaz de ajudar a afinação de uma centena de instrumentos de corda. Mas, tudo tem o seu fim.

Na verdade, envelhecemos juntos. Quem sabe se por um capricho do destino não chegaremos juntos à última etapa da vida?
12.03.2009

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