Vivendo sem Medo

– Números 13.25-32 –

MEDO É O SENTIMENTO que melhor caracteriza o presente século. Os homens vivem inquietos, sem paz e desesperados por causa da insegurança do mundo (Sl 27.1-3; 121; 124). As fobias cada vez mais se multiplicam em razão do estresse e da angústia provocados pela desorganização da vida moderna (Mt 10.28; 30.31; Lc 21.26; Jo 16.33). O que fazer? Como lidar com essa situação? Só Cristo pode livrar-nos do medo e de seus maléficos efeitos.

  1. O medo no indivíduo. Há no mundo um medo generalizado que assola as pessoas individualmente, não importando sua posição social, idade ou formação acadêmica. Do cidadão comum ao mais rico, do iletrado ao culto, do homem do campo ao da cidade; todos estão cada vez mais atemorizados ante a avalanche de desmandos de toda natureza que se abate sobre o planeta.
  2. O medo nas comunidades (vv. 31,32). Nos tempos bíblicos as cidades eram cercadas de muros altos e largos, pois o risco de invasão era constante (Dt 3.5). Hoje, a situação é bem pior. A crescente violência urbana tem gerado pânico e insegurança por toda parte.
  3. O medo no mundo. Ataques terroristas como os que sofreram os EUA em 11 de setembro de 2001 vêm acontecendo em vários países. Sem dúvida, isso é o cumprimento da palavra profética de Cristo acerca de sua gloriosa volta (Lc 21.25.33). Todavia, os salvos em Cristo poderão contar com o “socorro bem presente na angústia” (Sl 46.1,2). Se tivermos fé e buscarmos ao Senhor de todo o nosso coração, Ele nos livrará de todo mal (Sl 34.4; 91.10; 121.7). Enquanto olharmos para ele, seremos iluminados (Sl 34.5). Se clamarmos por seu santo nome, seremos livres (Sl 34.6).
  4. Medo do insucesso. A Bíblia afirma que feliz é aquele que confia no Senhor (Sl 84.12; 146.5). A falta de fé em Deus faz com que o crente seja dominado pelo medo de fracassar em diversas áreas da vida (profissional, acadêmica, ministerial etc.). É urgente confiarmos a Deus todos os nossos sonhos, projetos e objetivos (Sl 37.5).

Quem teme ao Senhor (Sl 112.1; 128.1) sempre escolhe o melhor caminho diante das crises, pois o próprio Deus encarrega-se de orientá-lo (Sl 25.12; Mt 6.31,32). Uma vez que os propósitos divinos para o crente são de paz e não de mal (Jr 29.11), não há razão para temer.

  1. Medo da morte. Enquanto incrédulos e materialistas desmaiam de horror diante da morte (Hb 2.14,15), o verdadeiro crente em Jesus não se assombra (Mt 10.28; Lc 2.29,30; Fp 1.21), visto que para Deus a morte dos santos é preciosa (Sl 116.15; At 3.15).

A razão de não temê-la está no fato de Jesus a ter vencido na cruz do Calvário (Sl 68.20; 2 Tm 1.10; Ap 1.18). Ler também Lc 16.11; Jo 14.3; 2 Co 5.1,2, 8. Os que temem a morte são justamente aqueles que não confiam na obra expiatória de Cristo, nem no poder de sua ressurreição (Jo 5.24; 11.23-27; 1 Co 15.55-57).

  1. Medo do futuro (Nm 14.1-9). As pessoas andam alarmadas e temerosas com o futuro econômico-político-social do mundo e quanto às péssimas previsões sobre a qualidade de vida no planeta. Diante disso, qual deve ser a postura do crente quanto às incertezas e medos da sociedade de nosso tempo? Vejamos:
  2. a) Não tema o futuro. Você pode até planejá-lo (Ec 11.1,2), mas evite preocupar-se excessivamente com ele (Sl 37.37; Mt 6.33,34; 2 Ts 1.7; Hb 4.9). A Bíblia afirma que os projetos humanos são falíveis, portanto, confie mais em Deus do que em seus próprios planos (Pv 27.1; Jr 8.20; Tg 4.13-15). A inquietação pelo amanhã impede o cristão, no presente, de usufruir da bondade e misericórdia divinas (Tg 4.13; Pv 19.21; 1 Tm 6.17,19).
  3. b) Confie em Deus (Nm 13.30; 14.11). O medo deve curvar-se ante a fé genuína no Senhor (Sl 55.4,5; 16-18). Se confiarmos em Deus à semelhança de Abraão que, “saiu, sem saber para onde ia” (Hb 11.8), com efeito, teremos um “bom futuro e a nossa esperança não será frustrada” (Pv 23.18 (ARA); 24.14). O homem desconhece seu futuro (Ec 9.1), razão pela qual o crente deve confiá-lo somente a Deus (Sl 37.5-7; Mc 11.22; 1 Pe 1.21).
  4. c) Seja fiel ao Senhor Jesus. O Salmo 37.27 sustenta que o crente fiel jamais será desamparado pelo Senhor e nem a sua descendência mendigará o pão. Ele será próspero em todos os seus caminhos (Sl 92.12-15), e nunca será abalado (Sl 55.22). O futuro daquele que é fiel ao Senhor será próspero e abençoado, conforme vaticina o Salmo 128.
  5. Resposta de Jesus para o medo: “NÃO TEMAS”. Exilado na ilha de Patmos, o apóstolo João venceu a solidão e o medo. No “dia do Senhor” ouvira ele uma grande voz (Ap 1.10,11), e ao virar-se para ver quem falava, teve uma gloriosa visão de Jesus (Ap 1.12-16). Naquele momento todo temor foi dissipado. Jesus colocou sua mão direita sobre João e lhe disse: “Não temas” (Ap 1.17). Esta mesma mensagem de ânimo e coragem foi transmitida a vários servos de Deus: Abraão (Gn 15.1); Josué (Js 11.6); Gideão (Jz 6.23); Elias (2 Rs 1.15); Paulo (At 18.9), entre outros.
  6. Exemplo de coragem dos servos de Deus. A despeito de suas extraordinárias obras, os heróis da Bíblia (Hb 11) também tiveram suas limitações (Tg 5.17). Todavia, por confiarem integralmente em Deus, venceram seus medos e realizaram grandes obras para o Senhor.
  7. a) Josué e Calebe. Foram os únicos que mantiveram firmes sua fé e coragem diante da força e poderio bélico dos cananeus. Eles confiaram na Palavra do Senhor que, através de seu servo Moisés, dissera: “Não temas e não te assustes” (Dt 1.21, 29). Os espias incrédulos e medrosos (Dt 1.28-32) não compartilharam da fé e da bravura dos destemidos servos de Deus. Isso nos ensina que pela fé no Senhor poderemos vencer o medo coletivo.
  8. b) Gideão. Com a coragem que recebeu do Senhor, e, com apenas trezentos homens, Gideão triunfou sobre o exército dos midianitas, composto por cento e trinta e cinco mil soldados armados (Jz 7.20-25).
  9. c) A despeito de sua pouca idade e inexperiência militar, não se intimidou diante do inimigo, mas com bravura e genuína fé venceu o gigante Golias (2 Sm 17.41-50).
  10. d) Diante dos quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e dos quatrocentos profetas de Asera, não se apavorou; derrotou-os em nome do Senhor (1 Rs 18.19-39).
  11. e) Pela fé, teve paz e descanso, enquanto o anjo do Senhor o livrava da boca dos leões (Dn 6.16-23).
  12. f) Enfrentou corajosamente os membros do Sinédrio e não se amedrontou diante de suas ameaças (At 4.1-13).
  13. g) Ao ser interrogado, açoitado e preso, não temeu diante das autoridades romanas (At 24.22-27; 28.30,31).

Quando fores assolado pelo medo e aflição, não se desespere. Ponha sua fé no meigo Salvador e ouça sua voz suave lhe dizendo: “Não temas”. Ler Mt 14.27; Mc 5.36; 6.50.

                                              Como vencer o medo

  1. Faça a vontade de Deus. O crente que vive segundo a vontade de Deus dorme em paz mesmo diante de grande tensão (Sl 3.1-5; Pv 3.24). Sua tranqüilidade se baseia na certeza de que o Senhor agirá em seu favor: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Sl 34.7). Ler Sl 3.6; 23.4; Lc 21.18.
  2. Busque a presença do Senhor. Em toda parte há crentes que moram em cidades violentas ou ameaçadas por catástrofes. “As famílias constroem suas casas e as sentinelas guardam as cidades, mas ambas as atividades são inúteis se o Senhor não estiver presente” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal). “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Sl 127.1; 27.1-3).
  3. Busque o refúgio do Senhor. A humanidade está mergulhada no medo porque o mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19). Todavia, não há razão para o crente temer. Deus preserva os que são seus (Gn 7; Sl 3). Os que se refugiam em Deus descansam em segurança (Sl 91).

Conclusão. A vitória sobre o medo está no amor. Por amar a Deus, grandes cristãos do passado não temeram pela própria vida. A Bíblia diz que no amor não existe medo, ao contrário, o perfeito amor lança fora o medo (1 Jo 4.18). Amemos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, e Ele nos guardará de todo mal e temor. Ler Lc 8.50; 12.7,32.

Fonte: Casa Publicadora das Assembléias de Deus

Transcrição: Pr. Airton Evangelista da Costa

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