Síndrome do Cativeiro

SÍNDROME DE CATIVEIRO

“Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados….” (Rm 8.15)

Desde o princípio da humanidade Deus vem agindo para libertar pessoas e nações de todas as formas de escravidão. Javé é o Deus que odeia cativeiro. A ação divina para libertar o povo cativo no Egito foi justamente para tirar aquele povo da condição de escravo. “Certamente vi a aflição do meu povo”, disse o Senhor, “e o seu clamor chegou até mim”.

A característica que melhor demonstra o viver saudável de um crente é a sua liberdade. O povo de Deus é um povo livre, pois o Evangelho liberta, a verdade liberta, a Palavra liberta, e foi justamente para a liberdade que Cristo morreu, pois a humanidade vive num cativeiro que a subjuga, manieta, e emperra a vida de homens e mulheres.

Passamos tanto tempo de nossa vida no Egito que corremos o perigo de desenvolver em nossa alma uma “síndrome de cativeiro”. Poucos cristãos compreendem e aceitam que agora são livres. Os israelitas, diante da sensação de incertezas que a liberdade trazia, murmuravam no deserto, dizendo – “melhor seria se ficássemos no Egito, pelo menos lá tínhamos cebolas, alhos e batatas”.

Quem de fato, quer ser livre? A liberdade dá vertigens, a liberdade nos faz assumir responsabilidades em nossas vidas, a liberdade desprende-nos de tudo o que é opressivo, seja igreja, seja relacionamento doentio, pois reconhece que tudo que oprime não vem de Deus, mas do maligno.

A primeira sensação que a liberdade de Cristo traz é de incertezas. Preferimos as coisas garantidas, acostumamo-nos e sentimo-nos bem com a rotina e com a repetição, agarramo-nos às mesmices, preferimos o certo, mesmo que ruim, a um glorioso, mas ainda incerto, vir a ser.

A liberdade que Cristo traz nos tira de nossa aparente segurança – que na verdade é insegurança total, e nos remete a vida de insegurança – mas que se trata da mais profunda segurança..

A síndrome de cativeiro nos leva a desenvolver temores infundados, e daí passamos a buscar seguranças. Mas Deus não está interessado em dá-las a nós. Pelo contrário, através das vicissitudes da vida o Senhor pretende ensinar a não mais dependermos delas. Ele deseja que todas as nossas seguranças sejam reconhecidas como inseguranças e que tenhamos necessidade de uma só – a segurança que Ele nos dá. O Eterno quer nos ensinar a caminhar de mãos vazias.
Espírito de escravidão procura certezas. Deus ri-se dessa nossa tolice e nada oferece além de sua Palavra. Foi assim com Abraão – “Sai de tua casa e vai para a terra que mostrarei”. E ele partiu como se visse o invisível. Hoje, nós pediríamos um mapa, uma bússola, um seguro de vida, e uma passagem de volta caso não dê certo.

Buscar profecias e revelações pode ser uma tentativa inconfessável de se assegurar do que pode acontecer no futuro. É um dos sinais da “síndrome de cativeiro”, pois mostra alguém que recusa soltar-se prazerosamente nas mãos de Deus, e torna-se um ansioso que tenta controlar a vida, antecipando-se aos acontecimentos.

Esta síndrome impede que o cristão singre pelos mares da vida no Espírito, pois ele quer sempre voltar aos seus portos seguros. No caso de Israel, o seu porto seguro era o Egito. Em nosso caso pode ser uma velha maneira de ser. No passado tínhamos uma falsa sensação de segurança quando éramos duros, quando respondíamos à altura, quando manipulávamos a vida dos nossos familiares com nossos joguinhos…. Daí a dificuldade de abandonamos esses estratagemas – que faz de nós seres miseráveis – para dar lugar a um ser manso e perdoador, pois sempre voltamos às nossas velhas posturas.

Espírito de escravidão se acostuma até com as coisas ruins. Quantas pessoas cristãs vivem infelizes, angustiadas, perderam a esperança, perderam o brilho nos olhos, perderam o sorriso nos lábios. Sabem onde está a raiz do problema, mas… acostumaram-se… resignaram-se… conformaram-se.

Como se libertar deste cativeiro? Primeiramente, reconheça-se um “cativo”. Tome consciência desta realidade. Foi o que o filho pródigo fez – “Então, caindo em si…” (Lc 15.17). Pode parecer engraçado, mas muito crente não consegue diagnosticar a sua situação – está enredado em legalismos, em pensamentos obsessivos, em relacionamentos adoecidos – e não percebeu ainda que está vivendo em cativeiro.

Depois de cair em si, é necessário preparar-se para mudar a situação – “Levantar-me-ei” (Lc 15.18), disse o filho pródigo, ou seja, ele planejou, e acima de tudo, desejou sair dali.

Mas muita gente fica só na intenção, entretanto aquele jovem foi em frente – “E levantando-se” (Lc 15.20) abandonou aquele chiqueiro/cativeiro em que se encontrava.

E você, quer continuar ou vai levantar-se?

Daniel Rocha, pastor da Igreja Metodista em Itaberaba, S.Paulo e Psicólogo
E-Mail: [email protected]
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Transcrito do site bibliaworldnete

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