O Princípio das Dores

Artigo escrito no ano de 2003:

“O Princípio das Dores” foi escrito há mais de seis anos. Hoje, novembro de 2003, faço uma avaliação de todos os males aqui relatados e verifico que não houve qualquer melhora. Pelo contrário. O abismo entre pobres e ricos, segundo as estatísticas, continua crescendo. Isto quer dizer que há cada vez maior concentração de riqueza e aumento da miséria no mundo. Nosso atual Presidente da República mostra-se disposto a fazer um grande esforço para minorar essa situação, mas é uma voz clamando num deserto. O Brasil não possui recursos suficientes para alimentar seus miseráveis. As nações mais ricas do mundo não dão prioridade ao assunto. Cem bilhões de dólares seriam suficientes para erradicar a miséria de muitos países, não apenas pela doação de alimentos, mas via investimentos para produzir riquezas e oferecer oportunidades de trabalho. Entretanto, os Estados Unidos, para dar um exemplo, gastaram muito mais na guerra contra o Iraque, e outro tanto será gasto na sua reconstrução.
Os valores éticos, morais e cristãos continuam sendo vulgarizados pela mídia televisiva. Amplia-se o espaço para apresentação da nudez e valorização de práticas homossexuais. As novelas, cada vez mais ousadas, se aprofundam nos tema liberalidade sexual em qualquer nível. Não de forma explícita, mas implícita, o ato sexual está presente em danças, novelas, programas e filmes. Os adolescentes rapidamente assimilam a “mensagem”. A depravação avançou e avançou muito nos últimos sete e oito anos. Os homossexuais que viviam enrustidos “saíram do armário”, incentivados que foram pelos movimentos libertários vindos de outros países. No Brasil, os GLS – gays lésbicas e simpatizantes – receberam apoio inconfundível da prefeita de S. Paulo, Marta Suplicy. As passeatas, inconcebível há vinte anos, agora reúnem dezenas de milhares de adeptos. Como sempre acontece com todas as novidades, a primeira ocorrência causa reação e reprovação. Depois, pouco a pouco, a sociedade passa a admitir os erros como fato consumado.
De tempos em tempos, o mundo recebe um sinal indicativo de que todos devem avançar em determinado ponto. O último, e mais polêmico, porém já assimilado, foi o beijo na boca entre Madonna e duas atrizes, diante das câmeras. Muitos já aprovaram. As lésbicas aplaudiram. Não tenho dúvida de que milhares de adolescentes assimilaram essa lição. Receberam a mensagem das trevas: “vocês podem fazer o mesmo; não devem temer; saiam do armário; assumam sua sexualidade; libertem-se”. Em determinada capital, os GSL promoveram “O Dia do Beijo”. Em público, em determinado centro comercial, eles trocaram beijos e carícias sem serem perturbados. As trevas estão avançando. A mais bombástica notícia foi a da consagração, no início de novembro/2003, na cidade de New Hampshire, EUA, de Gene Robinson, 56 anos, primeiro bispo anglicano assumidamente homossexual, divorciado e pai de duas filhas. A Igreja anglicana, com 70 milhões de seguidores, rompeu com o Vaticano no século XVI para que o rei inglês Henrique VIII pudesse se casar pela segunda vez.
A onda de pedofilia no meio da Igreja Católica foi algo devastador nos últimos anos. O Vaticano tomou algumas providências, pagou vultosas indenizações às vítimas, transferiu sacerdotes pedófilos para a “reserva”, mas o problema continua. No Brasil, com o fito de denegrir a imagem da Igreja de Cristo, preparada com zelo e amor pelo Espírito Santo, para apresentá-la a Jesus no tempo devido, o diabo colocou uma “evangélica” à frente de um programa de televisão, onde o sexo é a nota predominante.
A violência continua em crescimento. Depois que escrevi este artigo, tivemos o atentado terrorista contra os Estados Unidos, no World Trade Center, em 11 de setembro de 2001 [Sobre o caso escrevi “O Apocalipse de Nova York”], que abalou a economia da mais poderosa nação do planeta. Indiretamente, afetou todo o mundo. Em decorrência, duas nações foram invadidas e muitas vidas foram ceifadas: o Afeganistão e o Iraque. Palestinos e israelenses estão há vários anos numa guerra que parece não ter fim. No Brasil, houve um acréscimo considerável na violência. Não há mais espaço nos presídios para acolher as centenas de criminosos de qualquer tipo: homicidas, ladrões, estupradores, traficantes, assaltantes. A malha criminosa alcança juízes, policiais, advogados, empresários e políticos. No momento em que escrevo estas linhas, bandidos estão atacando de forma sistemática a Polícia do Estado de São Paulo. Se houvesse um levantamento diário dos assassinatos em todo o país, ficaríamos perplexos. Neste momento, a TV-Bandeirante, programa Sabadaço, informa que o número de assassinatos/ano no Brasil subiu de 8.000 em 1970, para 40.000 no ano 2.000. São 3.333 vítimas por mês, cento e onze por dia, mais de quatro por hora. Trata-se de uma guerra urbana permanente, mas já nos acostumamos com ela. Quando morrem cinco soldados norte-americanos no Iraque, lamentamos profundamente. Ficamos admitindo que o mal está vencendo. Mas já não experimentamos a mesma perplexidade ao sabermos que num fim de semana em Fortaleza, Estado do Ceará – para citar um exemplo – morreram doze pssoas.
E a falta de água potável? O problema está se agravando. Racionamento de água é comum em muitas localidades. Em nada melhorou a situação no Recife. E no mundo o problema continua no mesmo. E as matas? Nos últimos dois anos houve uma devastação sem igual. A mata amazônica continua sendo devastada pela ação predatória do homem. Incêndios de grandes proporções ocorreram em muitos países, ora como resultado de ação criminosa, ora como resultado das mudanças do clima.
Houve um considerável avanço do satanismo. O que há vinte anos seria inaceitável, hoje é visto com bons olhos. As tendas de esoterismo, bruxaria e feitiços se espalharam por todo o Brasil. Periodicamente, nos centros comerciais, os bruxos se estabelecem com seus apetrechos. Os livros sobre autoajuda, esoterismo, bruxaria são os mais vendidos. A série Harry Potter deu novo impulso ao tema. A partir daí, houve um considerável entusiasmo nessa área. Seminários, congressos, escolas para adolescentes, tudo esquematizado para que aprendam os poderes das trevas. Inúmeras crianças receberam a mensagem com alegria. Não mais tem medo de bruxa. As bruxas se apresentam na televisão quase diariamente; ensinam suas simpatias e vendem suas ideias. Graças a Deus o nome de Jesus está também diariamente na mídia. Ser uma bruxinha é motivo de orgulho. A sociedade passou a acreditar mais nos bruxos. Há bruxo que é escritor internacional e membro da Academia Brasileira de Letras. Diante dessa posição, até os mais ousados temem dizer qualquer coisa em contrário. É a mensagem sem rodeios das trevas. Muitas das nossas autoridades acreditam na bruxaria. Há programas na televisão que estão como que vendidos às forças malignas. Esoterismo, espiritismo, bruxaria são os temas preferidos. Quando promovem uma discussão sobre temas polêmicos, como, por exemplo, premonição, nunca convidam um pastor evangélico, nunca a Bíblia é mencionada. O nome de Jesus, se pronunciado, soa como um palavrão. É a realidade. Quando muito convidam o padre Quevedo, um padre apóstata, que não acredita em demônios, diabo, céu, inferno.
E qual a posição da Igreja? De resistência. Enquanto estivermos aqui a nossa posição é de resistência às investidas do maligno; de combater sem tréguas o pecado; de trabalhar com a certeza de que o Senhor virá e dará um fim a tudo isso.

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