O Ministério da Corrupção

CERTAMENTE, alguns dirão que a proposta é absurda. Até eu penso assim, mas diante de tantos absurdos, precisamos pensar em estratégias fora dos padrões. Que tal a criação de um ministério para cuidar da corrupção de outros ministérios?
Perdemos a conta de quantos ministros e outras autoridades dos poderes constituídos foram flagrados com a mão no erário, filmados, reconhecidos e denunciados por corrupção neste país, nos últimos vinte anos. Os órgãos de controle e fiscalização não dão conta de examinar o volume crescente de processos disciplinares, a maioria envolvendo casos de corrupção.
Durante os debates sobre da autoridade do Conselho Nacional de Justiça de apurar irregularidades de magistrados, tomamos conhecimento da avalanche de processos sob exame das corregedorias.
A ONG Transparência Internacional divulgou o ranking 2010 dos países mais e menos corruptos do mundo. Num universo de 180 países, em primeiro lugar está a Somália; em 69º, o Brasil. Estamos longe de assumirmos a primeira colocação, mas se não segurarmos as rédeas por todos os meios, num combate ferrenho e contínuo, a vaca vai pro brejo, se é que ainda não foi.
Sei que a criação de um superministério para apurar descaminhos de outros ministérios é uma quimera. Seria um erro do ponto de vista político. O Executivo não suportaria o peso das críticas da base aliada, “dona” dos ministérios. A “governabilidade” estaria em risco. Os corruptos odeiam órgãos de controle e fiscalização. Tão logo criado o tal ministério, surgiria a seguinte pergunta: “Quem vai apurar os desvios do novo ministério”?
Vejam que, tão logo o CNJ intentou mostrar serviço, isto é, cumprir com rigor sua missão de apurar irregularidades, vozes contrárias se levantaram.
“Há algum tempo um importante jornal americano mencionou em um artigo que a corrupção no Brasil seria endêmica. No dicionário diz-se de endêmico o que “é próprio de uma região ou população específica”. Traduzindo para palavras simples o que a publicação americana intentou expressar foi que, na política brasileira, a corrupção seria algo natural, indissociável da mesma e inerente à sua natureza”.
Endêmica ou epidêmica, o certo é que a corrupção em nosso país assume proporções cada vez maiores. A mídia tem dado sua valorosa contribuição com o jornalismo investigativo. Tornou-se um poderoso organismo de denúncia, com total apoio da sociedade. Lamentável é a intempestividade da atuação dos órgãos de controle e fiscalização, muitas vezes seguindo os passos da imprensa. De certo modo, isto é compreensível. Os casos são muitos.
A corrupção no Brasil e no Mundo só acabará quando “isto que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revestir de imortalidade” (1 Co 15.53).
04.02.2012
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