História da Inquisição: Perseguição, tortura e morte

O Vaticano abre seus arquivos da Inquisição

Fonte: Folha de S. Paulo,  23.01.1998

O Vaticano abriu ontem para teólogos e historiadores os arquivos relativos à Inquisição. Algumas revelações históricas começam a surgir, e uma já causou surpresa: traduções da Bíblia figuravam no “Índice dos Livros Proibidos” pela Igreja Católica.
Os católicos eram proibidos de ler obras que figurassem no “Índice dos Livros Proibidos”. Podiam ser condenados, portanto, por ler traduções da Bíblia. A igreja, que tinha o latim como língua oficial, temia a leitura dos textos sagrados sem supervisão eclesiástica.
A Reforma Protestante do século 16 -que criou, a partir do catolicismo, novas orientações religiosas- estimulava os fiéis à leitura da Bíblia na sua língua materna. Muitas bíblias foram queimadas nas fogueiras da Inquisição.
Os documentos do período que vai de 1542 a 1902 deverão permitir novos estudos sobre os julgamentos e mortes nas fogueiras de pessoas “infiéis” ou “hereges”.
A Inquisição foi estabelecida pelo papa Gregório 9º, em 1233, como uma corte especial para combater e impedir heresias. Aumentou suas atividades no século 15, principalmente na Itália, Espanha e Portugal. Ganhou força no século 16, para fazer frente à Reforma.
A partir de Portugal e Espanha, a Inquisição alcançou a América Latina. Chegou ao Nordeste do Brasil, no século 17, na forma de “visitações”. Representantes do Santo Ofício viajavam à então colônia portuguesa e vigiavam a prática por cristãos de cultos judaicos, indígenas e africanos.
Com a abertura dos arquivos, casos famosos, como o do monge italiano Giordano Bruno, queimado em Roma em 1600, ou do astrônomo Galileu Galilei, condenado por defender que a Terra se movimenta ao redor do Sol, ganharão novas explicações. Mas dezenas de outras histórias, como as perseguições aos cristãos-novos (judeus convertidos ao catolicismo), serão objeto de novas análises.
Parte dos documentos da época foi destruída. A igreja costumava queimar os papéis de assuntos mais delicados. Em 1810, quando Napoleão dominava grande parte da Europa, mais de 2.000 volumes foram queimados ou danificados.
Há hoje nos arquivos cerca de 4.500 volumes. Poucos são referentes a julgamentos por heresia. A maior parte detalha controvérsias teológicas e espirituais.

 

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