Entrevista: Dons Espirituais e Avivamento

Caro pastor Airton Evangelista da Costa, a paz do Senhor
Envio, conforme combinado, perguntas da revista “Tempo de Avivamento”, ligada ao ministério É Hora de Semear Fogo, do pastor Marco Feliciano. A entrevista abaixo fará parte de uma reportagem a respeito dos dons espirituais na igreja, que hoje não são freqüentes, apesar do avivamento que se vê no país. Se for possível, envie as respostas ainda nesta semana, acompanhadas de fotografias (resolução 300 dpi, em arquivo.jpg) para publicação. Queira incluir, também, um breve currículo (igreja a que pertence, livros etc.) Grato pela colaboração, na paz de Cristo,
Cláudio Oliveira
Editor
Telefone: (16) 3726-4660
E-mail: [email protected]
www.marcofeliciano.com.br

Por que devemos buscar o batismo com o Espírito Santo?

R – Jesus ordenou aos discípulos que não se ausentassem de Jerusalém “até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). Na verdade, a recomendação foi para que os discípulos não dessem início à pregação do “arrependimento e a remissão dos pecados” (v.47), antes de receberem “a promessa de meu Pai” (v. 49). O livro de Atos explica melhor: “Não vos ausenteis de Jerusalém, mas esperai a promessa do Pai, a qual de mim ouvistes. Pois João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.4,5,8; cf. At 2.16). Devemos buscar o batismo no Espírito Santo porque esse batismo “outorga ao crente ousadia e poder celestial para este realizar grandes obras em nome de Cristo e ter eficácia no seu testemunho e pregação (cf Atos 1.8; 2.14-41; 4.31)” (Bíblia de Estudo Pentecostal). Jesus estava convicto de que o batismo no Espírito era necessário á Igreja. O Apóstolo Paulo tem a mesma opinião: “Procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1 Co 14.1). Ele diz ainda que a profecia serve para edificação, exortação e consolação (v. 3), e “o que fala em língua edifica a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja” (v.4). Logo, devemos buscar o batismo para recebermos os dons que edificam a nós mesmos, individualmente, e à igreja. Vejam a recomendação divina: “Visto que estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem a edificação para a igreja. Por isso, quem
Fala em língua, ore para que a possa interpretar” (1 Co 14.12,13).

Existe diferença entre igrejas que permitem os dons constantes e as que não crêem neles?

R – As igrejas pentecostais são as que acreditam na atualidade dos dons espirituais. As não pentecostais são as que admitem que esses dons foram válidos apenas para a igreja apostólica. Não são aplicáveis à igreja pós-pentecostes. As pentecostais ensinam que as manifestações espirituais não foram limitadas ao período logo após a ascensão de Jesus. Vigoram até a sua volta: “De modo que nenhum dom vos falta, aguardando a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.7; cf At 2.39). Todavia, tais diferenças de opiniões não dividem o Corpo, pois a nossa unidade é Cristo.

A freqüência dos dons espirituais pode ser uma indicação de avivamento da igreja? O avivamento de uma igreja pode ser “medido” pelos dons manifestados?

R – O que é avivamento? É estar sempre com vida; é não se estagnar. Igreja avivada é aquela que está cumprindo a sua missão: “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e , se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre enfermos, e os curarão” (Mc 16.15-18). Cada um desses sinais (exceto a ingestão de veneno) ocorreu na igreja primitiva. “Ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.19-20). Pregar o evangelho, fazer discípulos, curar enfermos, expulsar demônios, eis a missão da Igreja de Cristo. A Igreja deve dar continuidade à obra de Cristo. Os dons espirituais (dons de curar, de profecia, de línguas, de interpretação de línguas, etc) usados com equilíbrio e seriedade, servem para maior edificação da Igreja. Neste contexto, os dons promovem um melhor avivamento. Tudo o que Deus faz tem algum propósito. Ele não distribuiria dons se dons não fossem necessários. Se Jesus predisse que seus seguidores falariam “novas línguas” é porque o dom de variedade de línguas é útil à Sua Igreja.

Por que, atualmente, os dons espirituais descritos em Coríntios são pouco freqüentes? Que caminho a igreja deve tomar para retornar aos dons espirituais?

R – Os dons espirituais continuam fluindo nas igrejas pentecostais; crentes são batizados no Espírito todos os dias; todos os dias mais dons são acrescentados aos batizados. Não tenho elementos para avaliar se essa busca tem sido uma constante em todas as denominações pentecostais, ou se tem havido algum retrocesso nessa busca, etc. Não há estatística disponível.

Fala-se muito em uma igreja teológica, dogmática. Que influência tem essa filosofia sobre o “desaparecimento” dos dons?

R – Não tenho como avaliar até que ponto os dons estão desaparecendo. Como aconteceu em Pentecostes, o Espírito continua sendo derramado sobre a Igreja. Talvez a inexistência de manifestações de dons nas igrejas que estão na mídia transmita a falsa idéia de que há o desaparecimento paulatino dos dons. Na televisão não há tempo para manifestação do Espírito. Também não há espaço para isso nas igrejas amarradas à teologia da prosperidade. Nestas, muito tempo é dispensado a assuntos ligados a dinheiro e campanhas. Os filhos da teologia da prosperidade não estão preocupados em buscar dons espirituais, nem são orientados a fazê-lo. Teologia e dons espirituais podem caminhar juntos sem que uma coisa prejudique a outra. Deus nada faz sem que tenha algum proveito: “A manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1 Co 12.7). Algumas denominações valorizam mais as manifestações do Espírito, a exemplo do dom de línguas, interpretação de línguas e profecia, em detrimento do ensino da Palavra. Mas essa prática não tem amparo bíblico. Como a Igreja de Corinto usava com muita intensidade os dons espirituais, o Apóstolo transmitiu a seguinte orientação, válida para nossos dias: “Quando vos reunis, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14.26). A intenção do Apóstolo foi colocar ordem no culto. Portanto, “faça-se tudo para edificação”, isto é, Palavra, louvor, línguas, interpretação, revelação; porém com equilíbrio e ordem.

Os dons na igreja são importantes para a salvação de almas?

R – Os dons espirituais (1 Co 12.1-11) não são meios de salvação, por uma questão muito simples: somente os salvos, isto é, os crentes em Jesus, podem receber o batismo no Espírito, que é uma experiência subseqüente à regeneração. Exemplo: Jesus soprou sobre os discípulos e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22). Aqui, Jesus cumpriu a promessa feita na última reunião com seus discípulos, antes da sua crucificação, quando lhes prometeu que receberiam o Espírito Santo da regeneração: “Habita convosco, e estará em vós” (Jo 14.17). A partir de então, os discípulos, que já eram crentes em Cristo segundo os preceitos do antigo concerto, foram plenamente regenerados no sentido da nova aliança. Num segundo momento, esses discípulos, já regenerados, foram “revestidos de poder”, isto é, foram batizados no Espírito Santo (At 1.4,5; Lc 24.49).

Não faltam, hoje, profetas e pessoas que dizem possuir dons, seja de interpretação ou outros. Isso é um sinal da vinda de Jesus?

R – O surgimento dos falsos profetas é um dos itens que anunciam o “princípio das dores” (Mt 24). Com respeito ao “dom de profecia”, há profetas que profetizam inverdades, como sempre existiram. O Apóstolo Paulo recomenda “não desprezeis as profecias; examinai tudo, retende o bem” (1 Ts 5.20,21). As mensagens proféticas devem ser aceitas após exame cuidadoso: “Falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1 Co 14.29).

O sr. acredita que a Igreja tem dado mais valor aos dons do que à Palavra? Por quê?

R – É difícil avaliar a Igreja como um todo. Mas posso afirmar com segurança que há igrejas que não dispensam à Palavra a devida atenção. Não apenas a manifestação dos dons espirituais toma o maior tempo do culto. Não raro também o louvor. Às vezes o pregador é forçado a espremer sua mensagem em vinte ou trinta minutos, no máximo, já no final do culto, quando os ouvintes estão começando a mostrar sinais de cansaço. Nada pode tomar o lugar da Palavra, simplesmente porque é a Palavra de Deus.

12.07.2004
Pr. Airton Evangelista da Costa

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