Dons Espirituais: Línguas Estranhas e Línguas Conhecidas

As respostas à consulta a seguir estão em meio ao texto.
DOM DE LÍNGUAS

CONSULENTE – Os evangélicos pentecostais acreditam em uma forma mais plena de se relacionar com Deus, e o que se destaca na teologia contemporânea é o batismo com o Espírito Santo. Que de fato é um ensinamento bíblico e confirmado por Jesus.
Pregam uma distinção entre o batismo nas águas e o batismo com o Espírito Santo, embora não haja uma necessidade que ambos aconteça ao mesmo tempo, um está vinculado ao outro.
Exemplo: Cornélio em Atos 10, recebeu o dom antes de ser batizado, pois o apostolo Pedro estava com preconceito se realmente a salvação se estenderia para os gentios , como o caso de Cornélio. Pedro disse: “E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas”.

Não é que preguem essa distinção; a distinção é bíblica. Jesus mandou batizar em nome do Pai,do Filho e do Espírito Santo. Depois, João Batista disse que Ele seria o que batiza com o Espírito. Mas o testemunho público de que a pessoa recebeu o Espírito Santo é a manifestação do dom de línguas.
Para tanto iremos basear nosso estudo na BIBLIA, como é mencionado em II Tim. 3: 16-17, “Toda Escritura é inspirado por Deus, e têm a finalidade de ensinar, corrigir, instruir e etc..”, tudo indica se estamos em um caminho errado a Bíblia é o nosso tutor, nosso guia infalível.

PASTOR AIRTON – Concordo

CONSULENTE = O método adotado para este estudo é o orientado pela própria Bíblia em Is. 28:13 de comparar verso com verso, e sistematizar o assunto
Em Atos 2 narra a derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes, onde os discípulos foram então batizados como Espírito Santo.
Os discípulos estavam todos reunidos, quando veio do céu um som, e também como fosse um vento veemente e impetuoso, e o verso 3 “E .foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito santo lhes concedia que falassem”.
Aqui esta a idéia do movimento pentecostal sobre o dom de línguas, eles dizem que falar em línguas de acordo com I Cor. 14:2, “é falar a Deus e não aos homens, no verso 4 do mesmo capitulo diz que tem a finalidade de edificação própria”.

PASTOR AIRTON – Eles dizem? A Bíblia diz.

CONSULENTE – Notamos então uma problemática, se a finalidade do dom de línguas é falar a Deus e edificação própria, teremos a dificuldade de explicar o seguinte conceito bíblico.
Atos 2:5, percebemos que Jerusalém por ocasião da festa de Pentecostes que acontecia 50 dias depois da páscoa, estava repleta de “varões religiosos”, “de todas as nações que estão debaixo do céu”.
Naquele momento os discípulos tiveram uma grande oportunidade de abrir finalmente as portas do evangelho para o mundo. Em função da festa, todo judeu que morava em outras nações deveria vim para Jerusalém para comemoração das festas judaicas. Até os que moravam em “Partos e medos, elamitas e os que habitam na mesopotâmia, e Judéia, e capadôcia, e Ponto, e Ásia, e Frigia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (prosélitos), e cretenses, e Árabes, todos os temos ouvidos em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” (Atos 2:9-11).
Na realidade o dom de línguas como relatado em Atos 2 têm a finalidade evangelização, naquela ocasião Jerusalém estava lotada de povos, representantes de várias nações civilizadas do mundo, aquela oportunidade não poderia passar, pois o assunto em pauta da mensagem dos apóstolos era justamente “as grandezas de Deus”(verso 11).
O dom de línguas não pode ser línguas de anjo, pois o texto é claro em explicar que eram “nações que estão debaixo do céu” (verso 5), e “porque cada um os ouvia falar na sua própria língua”. Alguém pode levantar a questão que Atos 2 têm uma manifestação do dom de línguas diferente de I Cor. 14.
Mas o movimento que fala em línguas hoje são os PENTECOSTAIS, mas se fundamentam em I Cor. 14, a pergunta é, são pentecostais ou corintianos ????

PASTOR AIRTON – Não há contradição na Bíblia sobre a questão. Aquela primeira manifestação sobrenatural do Espírito foi de forma extraordinária – que não quer dizer única – e destinou-se não só para edificação própria, mas chamar mesmo a atenção dos que ali estavam. A Igreja iniciante estava precisando disso, isto é, de chamar atenção para si. Para isso, Deus providenciou o milagre, o seja, os batizados falavam línguas estranhas ou espirituais e os ouvintes ouviam já traduzidas, cada um na sua própria língua. Um milagre. Como o Espírito não está limitado a nada, as línguas ali faladas podem ter sido línguas de idiomas conhecidos dos ouvintes. De qualquer modo, foi uma manifestação sobrenatural do Espírito, pois aqueles homens não tinham capacidade intelectual de assim proceder (Atos 2.6-7).

CONSULENTE – Nós sabemos que Corinto era uma cidade portuária, onde ali atracavam navios comerciais de várias partes do mundo e vários idiomas representados. Como toda cidade portuária, as aberrações pecaminosas eram quase comum, Corinto por sua vez era uma cidade pagã, onde seu culto aos ídolos existia uma parte do ritual que era falar em “línguas estáticas” (I Cor. 10: 14 e 19, 20; 8:1; 5: 11). [o consulente quis referir-se a línguas extáticas”, isto é, decorrentes de êxtase?).
Entretanto, o apóstolo Paulo em sua 2ª viagem missionária, foi até a cidade de Corinto, onde permaneceu por mais de 1 ano pregando o evangelho Atos 18: 3-5, 9-11. Conseqüentemente muitos se converteram ao cristianismo, mas alguns não abandonaram suas práticas pagãs, I Cor. 14:2 diz: os que falam língua estranha em espírito fala de mistérios, pois ninguém entende.
No decorrer dos versos o apóstolo explica a necessidade do dom até que ponto é útil para igreja, no verso 8 ele diz, imagine se a trombeta tocar o som incerto, quem se prepara para a batalha?. Se a trombeta tocar um som desconhecido os soldados não estarão aptos para a guerra, pois não conhecem.
Preste atenção no verso 9:
“Assim, também vos, se, com a língua, não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz ? porque estarei como falando ao ar”.
O apóstolo não é contrário ao dom de línguas, pelo contrário ele é contra as línguas estáticas, sem interpretação alguma, línguas misteriosas, que foram trazidas pelos pagãos recém conversos ao cristianismo. No verso 10, o apóstolo argumenta que têm tantas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação, todas têm uma interpretação, pois são línguas inteligíveis, e não havendo intérprete não adianta nada.
No decorrer da leitura I Cor. 14 em especial no verso 19 diz:
“Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em línguas desconhecida”- verso 19.
No verso 22: “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis, e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis”.
O intuito especial do dom de línguas é justamente evangelizar e não algo restrito para igreja. No verso 23, Paulo amplia o conceito contando uma ilustração, “se todos estão em uma congregação e começam a falar ao mesmo tempo, e ali tem visitas nessa igreja, o apóstolo até ironiza dizendo estais loucos”???
Paulo até aconselha para ficar calado se não houver intérprete (versos 27-28); todo este estudo é justamente pelo ensinamento bíblico de I Cor. 14:33, detenha sua atenção nesse verso e perceba a clareza, “Deus não é de Confusão, mas faça tudo decentemente e com ordem”(versos 33, 40).
Em suma compreendemos que o apóstolo inspirado por Deus escreveu esse capitulo, justamente para resolver um problema, e notamos a não existência da necessidade do dom hoje.
– Línguas estáticas não vêem de Deus e não se aproveita para nada, pelo contrário traz inveja e divisão na igreja, pontos contraditórios em relação a salvação.
– O verdadeiro dom de línguas tem a finalidade evangelística, para o beneficio dos infiéis.
– Pregando algum cristão estrangeiro na igreja, deve-se ter um intérprete, as línguas (idioma) devem ser “das nações debaixo do céu”, caso contrario ele deve ficar em silêncio (leia I Cor. 14: 28). Fale consigo mesmo e com Deus.

I Cor. 14:16: “Doutra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar do indouto o Amém sobre tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes???(perceba). Como falar amém algo que não se entende.

“Agora, pois permanecem a fé, a esperança e o amor, estas três; mas o maior destes é o Amor. Segui o amor e procurai com zelo os dons espirituais (I Cor. 12:28; Ef. 4:11; Rom. 12:6), mas principalmente o de profetizar”. I Coríntios 13: 13 e 14: 01.

PASTOR AIRTON –

Há uma confusão pelo menos na forma do consulente expor sua idéia. Primeiro, diz que o falar em línguas destina-se à evangelização. Onde está escrito isso? O próprio Paulo diz que, senão houver intérprete, não edifica outrem, mas ao próprio que fala. Recomenda até que falem em tom baixo (1 Co 14.28). Logo, a Bíblia está dizendo que a manifestação sobrenatural do dom de variedade de línguas não se destina à evangelização. Só serve para outras pessoas se houver intérprete, isto é, dom de interpretação. Há muitos que falam em línguas e ao mesmo tempo dá interpretação.

O dom de línguas não serve, por si só, para evangelizar porque o ouvinte não entende. Serve, contudo, para a própria edificação, pois Deus não distribui os dons para algo que não seja útil. Os dons são úteis – todos eles. Veja:

1 – “A manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1 Co 12.7).
2 – O dom de língua pode ser usados na Igreja, mas, para não atrapalhar o andamento do culto, que seja usado com sabedoria, baixinho, só com Deus. (v.28).
3 – “Não proibais o falar em línguas” (v.39).
4 – “Dou graças a Deus porque falo em outras línguas mais do que todos vós” (1 Co 14.18).
5 – “Gostaria que todos falásseis em línguas, mas muito mais que profetizásseis” (1 Co 14.5).

Em síntese, o falar em línguas é necessário porque nenhum dom deve ser desprezado, nenhum talento deve ser enterrado; mas na igreja dar-se-á mais atenção à profecia porque esta serve para os incrédulos, e a preocupação máxima da Igreja é ganhar almas para o Reino de Deus.

Parece que o consulente acredita que se deve usar línguas conhecidas para evangelizar. Certo. Ninguém falará em português para ouvintes ingleses. Na evangelização podemos usar o idioma pátrio ou outro qualquer (inglês, francês, alemão, etc). Neste caso se trata de conhecimento adquirido, capacidade intelectual; não mais de dom espiritual. Para falar outros idiomas não precisamos ser crentes; os ateus também falam. O apóstolo diz: “Pelo que, o que fala em língua, ore para que as possa interpretar” (1 Co 14.13). Ele está falando: primeiro, no dom de variedade de línguas; segundo, no dom de interpretação de línguas (1 Co 12.10). Ele orienta para que o crente “ore para que possa interpretar”. Ora, não se aprende ser intérprete de francês, inglês ou alemão apenas orando, mas estudando. Mas no caso de dons espirituais é necessário busca, sede e vontade do Espírito. Se o dom de línguas fosse dom de línguas conhecidas, milhões de brasileiros que se dizem batizados no Espírito não teriam recebido ainda esse dom, pois continuam falando somente o português. Se o crente for usado pelo Espírito para falar em línguas para um grupo de alemães, ele falará em alemão e não haverá necessidade de intérprete. Por que Paulo diz que devemos orar para recebermos o dom de interpretação de línguas? É porque ninguém pode interpretar o “idioma” usado nas línguas espirituais; somente o faz aquele que receber o dom de interpretação de línguas.
Por último, a tese de que o dom de línguas se refere a línguas conhecidas é rebatida pela seguinte declaração: “Pois o que fala em língua não fala aos homens, senão a Deus. Com efeito, ninguém o entende, e em espírito fala em mistérios” (1 Co 14.2). Logo, é uma língua estranha aos homens, pois ninguém entende. Daí porque necessita que o que fala tenha outro dom, o de interpretar.

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