CRÔNICAVÍRUS – A Maldição do Grupo de Risco

   Maldito serás pelo resto da vida. Viverás em confinamento no seu próprio lar. Estás proibido de visitar e receber visitas: de filhos, irmãos, netos, bisnetos e afins. Contaminados estão seus pertences, seus óculos, seus sapatos, sua vestimenta. Excluído e amaldiçoado em vida e também na morte. Não haverá choro nem lágrimas no seu velório. Não haverá velório. Serás um expatriado e cumprirás tua pena na própria pátria. Não terás direito a recorrer da sentença condenatória. A Saúde te condenou; a Sociedade lava as mãos e a tua família diz amém. É fato consumado, tecnicamente estudado. Embora estejas com boa saúde, fazes parte do temível Grupo de Risco e deves ser banido do convívio social. A curva dos infectados só irá parar de subir quando a maioria do Grupo de Risco desaparecer. Desaparecendo o Grupo, desaparece o Risco.

Sei que estou usando tintas fortes para descrever a realidade da crise por que passamos. Mutatis mutandis, coisas extravagantes estão acontecendo em nossos dias, em nome da lei, da ordem, da vida. Vi hoje, na TV, mais uma cena de crueldade. No Piauí, três robustos policiais flagraram uma casa comercial aberta. Talvez tenham recebido uma denúncia. O comerciante alegou que abriu seu comércio para fazer uma limpeza. Fechou a loja e concordou em acompanhar os policiais até a delegacia. Não foi o suficiente para os homens da lei. Sem oferecer resistência, o homem levou uma gravata e foi algemado. Diz a reportagem que a vítima desmaiou. Não se tratava de um bandido que estivesse assaltando uma loja ou tivesse cometido um homicídio. Ali estava um trabalhador, empresário, pagador de impostos, certamente angustiado com as dívidas de sua empresa. Outro dia, no Rio de Janeiro, um homem foi vítima de igual abuso de autoridade. Estava na praia. Três policiais o atacaram. Um deles aplicou-lhe o temido golpe “Mata-Leão”. O pai da vítima disse aos policiais que seu filho tomava remédios controlados. Não adiantou. O “Mata-Leão” causou o desmaio do agredido. Estamos assistindo a uma barbárie. Vivendo num estado de sítio decretado não pelo Governo Federal, mas por prefeitos e governadores.

Até quando? Ninguém vai responder criminalmente pelos abusos?

Pr. Airton Evangelista da Costa

 

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