Como Identificar Uma Seita

Como identificar uma seita
Mary Schultze

Identificar uma seita é muito simples. Basta que se verifique a maneira como o seu líder (ou líderes) trata os membros da mesma. Quem leu o artigo “Abuso Espiritual”, de Dave Henke (na excelente tradução e adaptação de Marcelo Parga de Souza), logo aprende a identificar uma seita. Depois de ler o artigo de Henke eu me inspirei a escrever este…

Em geral os líderes das seitas costumam abusar espiritualmente dos membros, em o Nome de Deus, colocando-os numa posição de subserviência espiritual, impedindo-os de raciocinar claramente sobre as doutrinas bíblicas, as quais lhes são entregues bem mastigadas e adaptadas à conveniência da seita.

Jesus condenou a autoridade religiosa dos fariseus sobre o povo judeu, com as seguintes palavras, conforme Mateus 23:2-4: “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus… não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los”.

Quando um membro se submete, incondicionalmente, à autoridade da seita, são-lhe prometidas bênçãos espirituais e temporais. Contudo, ele não pode nem deve questionar os seus líderes, os quais assumem a responsabilidade diante de Deus, mal sabendo que um dia terão de prestar contas ao Senhor pelos seus atos arbitrários e pela falsa teologia que terão ensinado. O Catolicismo Romano costumava chamar todas as igrejas protestantes de “seitas”, tendo deixado esse péssimo costume, depois do Concílio Vaticano II, quando foi criado o Movimento Ecumênico. Os membros de uma seita são obrigados a abdicar de sua mente e ainda se submetem a um tipo de restrição mental, que lhes é imposta pelos líderes espertalhões.

Qualquer igreja ou seita que exige sacrifício financeiro, organizando eventos que subtraiam dinheiro do membro, ou prometendo-lhe bênção especial, caso ele obedeça aos “mandamentos” do líder e abra a bolsa em favor dessa igreja, é FALSA. Mais falsa do que latão, quando este se apresenta como ouro 18 quilates.

Em geral os líderes das seitas (e isso tem acontecido em muitas igrejas ditas evangélicas) se apresentam como pessoas muito santas e espirituais, mas no âmbito de sua vida particular são péssimos maridos e pais de família, muitas vezes cometendo adultério, pois, à medida em que vão tosquiando suas ovelhas, o amor ao dinheiro vai crescendo, sua consciência vai endurecendo e eles recebem aquele tipo de maldição descrita por Paulo na 1 Timóteo 6:10: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

A Bíblia diz que “… Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34) e, assim todos nós, os crentes remidos pelo sangue de Cristo (segundo a 1 Pedro 2:5), somos “como pedras vivas … edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo”. Em Gálatas 5:1 lemos: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.” Evitemos ser submetidos a qualquer doutrina de interpretação bíblica, pois o Espírito de Deus nos mostra a Sua face divina (quando estudamos a Palavra Santa com o sincero desejo de conhecer melhor o nosso Deus), convencendo-nos do pecado, da justiça e do juízo e conduzindo-nos à verdade que liberta da mentira religiosa.

Qualquer religião ou igreja que tem uma hierarquia superior, a qual se julga mediadora entre Deus e os homens e ainda esconde segredos especiais (mistérios) dos seus membros (como a Igreja de Roma), os quais são conhecidos apenas dos líderes, é uma seita, mesmo que seja considerada a maior religião do mundo. Dentre estas a mais conhecida é a Maçonaria. Quem consegue o livro de Albert Pike (“Morals and Dogma”) e lê o seu conteúdo, fica sabendo de coisas que os líderes mais graduados escondem dos membros inferiores, os quais embarcam numa canoa furada, sem saber o que os aguarda no futuro, quando já não mais poderão se libertar da prisão doutrinária da seita, a não ser pela imensa graça e misericórdia do Senhor. A maior maçonaria que se esconde sob o nome de cristã é a Ordem de Loyola.

Infelizmente, as igrejas neopentecostais (ou Malaquianas) estão usando e abusando do Nome Santo do Senhor Jesus Cristo para aprisionar os seus membros em verdadeira maçonaria “evangélica”, muitas delas fazendo “encontros” misteriosos, nos quais os membros sofrem lavagem cerebral, a fim de aceitarem as imposições dos seus líderes. Jesus jamais escondeu coisa alguma do Seu ensino, conforme Ele mesmo declarou a Anás, em João 18:20-21: “… Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto… Para que me perguntas a mim? Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei; eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito”.

Todo falso sistema religioso esconde a verdade dos seus membros porque eles mesmos sabem que suas doutrinas são heréticas, retiradas de textos fora do contexto bíblico, e morrem de medo que um membro mais inteligente, ou “bereano”, possa argumentar sobre o assunto. Eles odeiam dar explicações racionais porque nunca são capazes de tal façanha.

Lembro-me de uma conhecida “apóstola” que fundou uma igreja, depois de arrebanhar muitos crentes de igrejas sérias, os quais não liam a Bíblia e, portanto, não sabiam defender-se da “sabedoria e espiritualidade” dessa mística mulher. Certo dia, quando a mãe de sua anfitriã (no Ceará) estava comemorando aniversário, ela recusou-se a subir para cumprimentar a aniversariante, porque “precisava ficar logo a sós com Deus… em jejum absoluto… orando para enfrentar as ciladas do Diabo, etc”. Acho que ela desconhecia Gálatas 5:14: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Ela era tão “santa” que jamais permitiu que eu lhe fosse apresentada, pois eu era apenas uma crente comum, enquanto ela era uma supercrente, uma “mulher de Deus”.

Em suas preleções, essa mulher sempre tem abusado do Velho Testamento e do Livro Hebreus, pregando abertamente a perda da salvação eterna, se o crente não andar numa linha de completa santidade, ensinando que o crente não pode ficar doente (conforme o ensino de Mary Baker Eddy), a não ser que tenha cometido um pecado grave. Hoje em dia (dizem alguns), ela sofre de uma moléstia incurável, a qual esconde dos seus seguidores, tendo se tornado uma mulher riquíssima e idolatrada pelos membros de sua seita. Se Jesus olhar, lá de cima, para ela e seus ministros, na certa vai dizer: “… Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão” (Mateus 6:5 – grifo nosso).

Jesus chicoteou os cambistas no Templo, que exploravam os fiéis, conforme Mateus. 21:12-13; Marcos. 11:15-18; Lucas. 19:45-47 e João 2:13-16). Ele também condenou aqueles que se importavam mais com as suas próprias interpretações da Lei do que com o sofrimento humano (Marcos 3:1–5). Em Mateus 23, Jesus nos dá uma importante descrição dos líderes espirituais que abusam dos seus seguidores. No capítulo 1 de Gálatas, Paulo condena os judeus que tentavam impor aos gentios um cristianismo legalista, dizendo: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1:6-9).

Em geral as vítimas das seitas heréticas, tendo passado por anos de lavagem cerebral, tornam-se infelizes, insatisfeitas e desconfiadas. E quando conseguem abandonar a seita, são perseguidas pela própria família, como acontece com os “desertores” das TJs. Elas aprendem a temer um Deus exigente e castrador, pois os líderes das seitas sempre usam e abusam do Velho Testamento, deixando de lado o Novo, principalmente as Epístolas de Paulo.

Se você pertence a uma “igreja”, cujo pastor se apega demais ao Velho Testamento, falando o tempo inteiro em dízimos e ofertas, citando Malaquias e outros profetas do VT, cuidado! O Velho Testamento é excelente como exemplo histórico de moralidade, poesia e beleza, mas devemos nos guiar pelo Novo Testamento. Jesus disse que “A lei e os profetas duraram até João…” (Lucas 16:16).

O grande interesse dos pastores “malaquianos” pelo Velho Testamento é que ali encontram meios de explorar os membros de suas igrejas, quer seja através de sacrifícios espirituais ou de contribuições financeiras, os quais, muitas vezes ficam sem dinheiro para comprar o essencial, endividando-se até mesmo nas contas de energia elétrica. Esses hipócritas jamais teriam coragem de citar estes versos de Paulo: “Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. (Romanos 13:7-8). Muitos deles aconselham os seus membros a deixar de pagar as contas do governo e a entregar-lhes o dinheiro, para não serem amaldiçoados. Outro verso que eles esquecem de citar para os membros de suas igrejas, quando exigem sacrifícios de todo tipo, é este de Hebreus 13:15: “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Bíblia ACF).

Mary Schultze, janeiro 2005.

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