Civilização biônica

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Civilização biônica
Olavo de Carvalho

O abortismo, assim como os privilégios imperiais reivindicados pelo movimento gay ou a destruição sistemática de todas as tradições religiosas, é parte integrante do projeto do governo mundial, cuja formulação remonta ao século XIX e que é o objetivo permanente buscado pela oligarquia financeira internacional com a ajuda de movimentos esquerdistas generosamente subsidiados e inteligentemente monitorados.

Não é só um projeto político: é uma civilização mundial inteira criada em proveta, uma reforma radical da natureza humana concebida em moldes gnósticos, um “admirável mundo novo” implantado a toque de caixa, ante os olhos atônitos de uma humanidade inerme e sonsa que se deixa arrastar sem saber para onde.

A parte destrutiva do projeto exige desarraigar moral e psicologicamente as multidões mediante a supressão forçada de suas referências religiosas e culturais, criando um estado de anarquia mental e desespero que em seguida será remediado providencialmente pelo advento de uma nova religião mundial sincrética — a parte reconstrutiva –, cujo desenho já está pronto nos seus mínimos detalhes. Se dúvida, veja a documentação reunida por Lee Pen em False Dawn , que já mencionei mais de uma vez em meus artigos.

A tentação de chamar isso de “teoria da conspiração” é grande, porque o programa é tremendamente parecido com o dos Protocolos dos Sábios de Sião , com uma diferença: os judeus não entram na história senão como bodes expiatórios e cobaias de um experimento mortífero.

Pode parecer coincidência, mas a diluição proposital do judaísmo por meio de agentes infiltrados e traidores bem pagos, tal como descrita pelo rabino Marvin Antelman em To Eliminate the Opiate (2 vols., Jerusalem, Zionist Book Club), foi o primeiro ensaio consistente da modernidade no sentido de transmutar uma religião no seu oposto, exatamente como se faria mais tarde com o protestantismo através do Conselho Mundial das Igrejas e com o catolicismo através da apropriação comunista do Concílio Vaticano II. O judaísmo foi a primeira baixa na guerra mundial contra as religiões. É uma ironia macabra, mas bem significativa, que a vítima fosse em seguida apontada como autora do crime.

A oligarquia financeira global tem existência histórica suficientemente contínua para se aventurar em projetos estratégicos de longuíssimo prazo, e a prova documental de seus esforços nesse sentido é hoje tão abundante que negar os fatos se torna cada vez mais difícil (V., por exemplo, Phil Kent, Foundations of Betrayal. How the Liberal Super-Rich Undermine America, Johnson City, TB, Zoe Publications, 2007).

É evidente que a subversão das religiões desde dentro não funcionaria se não viesse complementada por campanhas de desmoralização enormemente vastas, dispendiosas e bem sincronizadas, assim como por empreendimentos simultâneos destinados a introduzir mudanças de choque nos códigos morais da humanidade.

Abortismo e homossexualismo, repentinamente apresentados como valores éticos obrigatórios para as mesmas populações que até ontem os abominavam, são só dois itens de um vasto cardápio de mudanças traumáticas calculadas por engenheiros comportamentais para produzir um estado de estupor moral e induzir à obediência passiva.

Olavo de Carvalho é jornalista, escritor e professor de Filosofia

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